08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Quero estar errado


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Brasil, um país de contradições. Ao ler a reportagem do JC do dia 25 de abril, noticiando que o diretor da Anvisa autorizava a volta das farmácias a medir pressão arterial, fiquei transtornado e imaginando como o Brasil tem maneiras absurdas de resolver as crises sociais.

Lembro-me que há vinte anos atrás as farmácias estavam diretamente ligadas ao setor de saúde. Os proprietários eram homens de total confiança da população. Farmacêuticos e práticos em farmácias da maior capacidade profissional, quem não se lembra do sr. Pedro, da Farmácia Popular; do Julio, da Falcão; do Julio, da São Paulo, e tantos outros que me desculpem eu não ter citado. Que prestação de maior valor profissional para o povo bauruense!

Mas com o passar dos anos a classe médica e os planos de saúde sentiram-se prejudicados por esses profissionais e fizeram a Anvisa proibir todo tipo de prestação de serviço em nome da proteção dos pacientes que ali se orientavam. Então o setor de farmácia passou por uma grande modificação, transformando-se em verdadeiro mercado de conveniências, os que não acompanharam foram aniquilados pela concorrência. O vale-tudo chegou a um ponto que as grandes redes, hoje em dia, não contratam mais balconista e sim auxiliar de farmácia, e o sindicato dessa categoria finge que não vê nada. Está mais preocupado em arrecadar as taxas sindicais. E o CRF, então, procura garantir o emprego de farmacêuticos responsáveis, também pela sua sobrevivência. Não estão nem aí com a saúde do povo.

Agora vem a Anvisa dizendo que as farmácias podem medir pressão. Para tudo, estão achando que o povo é palhaço. Abram o jogo e falem que a saúde pública está na UTI e que esse governo Serra do PSDB é da mesma farinha do Lula do PT. Acorda, Brasil, antes que a pressão chegue a 20/10. Mas não a pressão arterial e sim a social.

Edson Anaia Martins - RG 12.329.255-4