Na pele da espevitada Lurdinha de “América’’ (2005), Cléo Pires, 26 anos, fez muito marmanjo perder a cabeça com a jovem disposta a tudo para conquistar o cinqüentão Glauco (Edson Celulari). Três anos depois e se sentindo bem mais experiente - “o processo da vida é amadurecer e não regredir’’-, a atriz se prepara para viver uma personagem bem diferente de todas aquelas que já interpretou. A partir de hoje, Cléo será a elegante Margarida de “Ciranda de Pedra’’, a nova novela das 18h da Globo.
No enredo, ambientado no final da década de 50, Laura (Ana Paula Arósio) vive um amor platônico com Daniel (Marcelo Antony), que é o tempo todo freado pelo marido dela, o vilão Natércio (Daniel Dantas). Virgínia (Tammy Di Calafiori), fruto do caso extraconjugal do apaixonado casal, encontrará em Margarida uma grande amiga para desabafar suas aflições. Entre elas, a rejeição que sente por parte do pai que a criou, Natércio.
“A Margarida é uma menina doce ao mesmo tempo em que mantém os pés no chão. Ela é romântica, mas realista e verdadeira, por ser também muito madura’’, conta a atriz, que considera interpretar uma personagem dos anos 50 uma tarefa nada simples. “Sinto-me desafiada. O figurino e o cabelo, por exemplo, levam muito mais tempo para serem feitos, mas vale a pena. Fica lindo’’, diz Cléo, que se acha parecida com Margarida. “Ela é reservada. Eu falo muito com as mãos, sou meio estabanadona, mas também não sou de ficar me expondo’’, fala a atriz, que afirma ser muito crítica em relação ao seu trabalho. Ela conta que escolheu se dedicar exclusivamente à “Ciranda’’ durante o período em que a novela estiver no ar.
“Adoro me assistir porque, às vezes, você faz a cena de uma maneira e depois vê que ficou de outra. Acho importante ver para saber por qual caminho estou indo. O que a gente sente nem sempre é o que aparece. É preciso achar um equilíbrio entre essas duas coisas. Encontrar a sua verdade e imprimir aquilo que você quer passar para o público’’, fala a intérprete da doce professora Margarida.
Na história, Margarida é filha de Memé (José Rubens Chachá) e da pasteleira Alzira (Clarice Niskier) e irmã da divertida Elzinha (Leandra Leal). Para ganhar a vida, Margarida trabalha como professora primária, fato que fez com que Cléo tivesse de fazer uma preparação especial para encarar a personagem. “Fizemos muitos ensaios e muitas aulas de prosódia para eu falar com o sotaque de São Paulo. Também tive de fazer aulas de cantigas de roda, além de conversar muito sobre a personagem, principalmente a respeito do que não queríamos que ela fosse de jeito nenhum, porque essa não é uma novela de época em que todo mundo é bobinho e vive em uma fantasia. “Ciranda de Pedra’ é bem real’’, explica Cléo, que, assim como boa parte do elenco da trama, não quis conhecer detalhes da primeira versão de “Ciranda’’, exibida em 1981.
A segurança de Margarida será colocada à prova quando seu namorado, Eduardo (Bruno Gagliasso), apaixonar-se por Virgínia (Tammy Di Calafiori), sua melhor amiga. A partir daí, um triângulo amoroso passará a pontuar a vida do trio. Para Cléo, os sentimentos eram mais verdadeiros nos anos 50. “Não tinha muito joguinho. Ao menos é a impressão que eu tenho’’, diz a atriz, que analisa ainda a condição feminina na trama.