08 de julho de 2026
Geral

Criança é adotada por estrangeiros

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Num caso raro, uma criança de Bauru foi adotada por um casal de estrangeiros. Trata-se da única adoção internacional registrada na última década na comarca local. No segundo semestre do ano passado, a criança, um menino negro de 7 anos, atravessou o Atlântico para encontrar, finalmente, um lar na Espanha. Antes, no entanto, foram esgotadas todas as possibilidades de adoção no Brasil, segundo informações obtidas pela reportagem no Fórum de Bauru.

Garotos com o perfil dele não figuram na preferência dos casais locais. A maioria espera acalentar um recém-nascido de pele clara. Na guerra entre os sexos, as meninas ainda levam vantagem na hora da adoção. Por acreditar que elas sejam mais companheiras e carinhosas, são mais solicitadas.

Com outra mentalidade, o casal de espanhóis obteve a guarda da criança de Bauru por meio de um trâmite encaminhado pelo Fórum João Mendes, em São Paulo. Por intermédio da comunicação entre as comarcas paulistas (área jurisdicional que abrange um ou mais municípios) chegaram ao esperado filho. Diferentemente de outros Estados brasileiros, para se inscrever num fórum no Estado de São Paulo, os candidatos devem ser da cidade ou região. A oferta da criança só é feita além desse universo quando todos os candidatos locais não demonstram interesse na adoção.

Mas assim como os espanhóis, algumas famílias de Bauru têm, aos poucos, demonstrado interesse na adoção inter-racial. Algumas também já aceitam crianças mais velhas. Atualmente, em Bauru, oito casais se propõem a acolher meninos e meninas com mais de 5 anos.

Porém, quando se aproximam dos 12 ou 13 anos, até mesmo as adoções internacionais tornam-se mais difíceis. Raros também são os interessados em bebês - meninos ou meninas - com problemas de saúde. Atualmente, eles são maioria entre os disponíveis para a adoção. São crianças com HIV, problemas mentais ou motores, cujas chances de permanecerem nos abrigos são grandes.

O Cadastro Nacional de Adoção é a nova esperança de final feliz para elas. Ele integrará as listas de crianças que podem ser adotadas e de candidatos a adotá-las existentes nas Varas da Infância e da Juventude de todo o País. Com o sistema, a expectativa é de que seja reduzida a burocracia do processo. Deste modo, uma pessoa considerada apta à adoção em sua comarca ficará habilitada a adotar em qualquer outro lugar do País.

Talvez assim seja mais fácil adotar inclusive um recém-nascido. No ano passado, cinco deles foram abandonados na Maternidade Santa Izabel e designados a famílias da comarca local, segundo informações obtidas no Fórum de Bauru. O número poderia ser maior, não fosse a pressão social sofrida pelas mães.

Normalmente fragilizadas, elas ficam com a criança, mesmo sabendo da dificuldade em criá-las. Muitas vezes, delegam a responsabilidade para madrinhas ou parentes. Só bem mais tarde é que as colocam para adoção.