09 de julho de 2026
Regional

Polícia conclui que não houve venda de bebê

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Avaré - A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré (120 quilômetros de Bauru) concluiu o inquérito que apurou a suposta venda de um bebê de Avaré para um casal de Bauru. Depois de ouvir testemunhas, todos os envolvidos e fazer levantamentos, o delegado de polícia Rubens César Garcia Jorge encerrou as investigações com a certeza de que não houve venda da criança e sim uma pretensa adoção sem as formalidades legais.

A suposta venda do recém-nascido foi divulgada pelo pai biológico, Robinson de Lima, e pela mãe biológica, Sílvia Aparecida Felipe de Paula, junto a uma emissora de televisão em março, 20 dias após o nascimento da criança, quando ele reatou seu relacionamento com a mulher e quis saber da filha.

Na denúncia, a mãe dizia-se arrependida e alegava que o casal de Bauru, que teve seu nome preservado, havia dado R$ 400,00 para ela e prometido R$ 20 mil, valor a ser pago posteriormente.

A polícia apurou, através de investigações, que Sílvia Paula tinha um filho com Robinson Lima e a menina seria a segunda gravidez dela com ele, embora já tivesse outros quatro filhos, fruto de outros relacionamentos.

A gravidez teria sido rejeitada pelo companheiro desde o início e, durante o período de gestação, ela teria sido agredida por ele várias vezes. Cinco dias antes do nascimento da menina, Robinson Lima expulsou a mulher e os filhos dela do cômodo em que moravam. Sílvia de Paula foi morar na casa de seus pais.

Na madrugada do dia 28 de fevereiro, Sílvia de Paula deu à luz a uma menina e, no dia seguinte, saiu do hospital. Junto com o casal de Bauru, ela foi até um cartório onde a criança foi registrada e entregue ao casal, juntamente com a certidão de nascimento, carteira de vacina e exame do pézinho.

Nessa oportunidade, a mãe biológica teria repassado ao casal cópia de seus documentos pessoais e uma declaração na qual entregava a criança ao casal para fins de adoção.

Em seu depoimento, Sílvia de Paula negou ter vendido a criança. Disse que entregou a recém-nascida para adoção por enfrentar dificuldades de todas a espécie pela rejeição do pai biológico e também por acreditar que a menina ficaria sob a guarda de pessoas idôneas.

O inquérito apurou ainda que o pai biológico tentou tirar vantagem financeira da doação do bebê, assim que tomou conhecimento que o casal de Bauru tinha posses. As vantagens foram classificadas pelo delegado como indevidas e imorais. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, que deverá tomar as devidas providências.

Pai animado

Robinson de Lima, nas palavras da companheira Sílvia de Paula junto à polícia, ficou animado quando reatou o relacionamento com ela e ficou sabendo da suposta ajuda que o casal iria dar, no valor de R$ 20 mil. Fato negado pelo casal. Lima teria comentado que compraria uma casa com o dinheiro que seria dado pelo casal.

Robinson Lima teria conseguido o telefone do casal e teria pedido R$ 8.500,00 para doar a criança. Com o dinheiro, ele construiria três cômodos. O casal teria negado o valor e a promessa dos R$ 20 mil.

A partir de então, Lima teria feito a denúncia à polícia e publicamente. Sílvia de Paula disse em depoimento que não tinha interesse em reaver a menina por acreditar que a recém-nascida deveria crescer longe do pai biológico.

Robinson Lima tem passagens pela polícia por vários crimes. Durante as investigações, uma de suas filhas foi ouvida e descreveu o pai como um homem truculento, que só trouxe dissabores para seus familiares.

A adoção da menina pelo casal de Bauru continua na mão da Justiça. Durante o período de investigação, a DIG de Avaré veio a Bauru cumprir um mandado de busca e apreensão da criança, que não foi localizada.