11 de julho de 2026
Nacional

Após atribuir resultado a ‘baixo QI dos baianos’, professor renuncia

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Salvador - Após atribuir o mau rendimento dos alunos de medicina da UFBA no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) ao “baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos’’, o coordenador do curso, Antonio Natalino Dantas, 69 anos, pediu a renúncia do cargo e vai tirar licença das atividades como professor na instituição até obter a aposentadoria compulsória, no final do ano.

O renúncia foi protocolada ontem pelo diretor da faculdade, José Tavares Neto, em assembléia aberta a alunos, professores e funcionários. Segundo Tavares Neto, será realizado hoje um encontro entre membros das congregação da faculdade para estudar possíveis punições ao professor por meio da instauração de processo administrativo disciplinar e para definição de novo coordenador.

Em uma carta, Dantas pediu desculpas pelas declarações e disse que não teve “intenção de ofender a quem quer que seja”.

“Por força de um estado emocionalmente comprometido e por uma profunda tristeza, uma irritação incomum e um assomo de destempero arrastaram-me a uma manifestação inadequada, da qual expressamente me redimo”, disse.

Representantes de entidades de luta contra o racismo, como o Olodum, também estiveram presentes à assembléia.

Segundo o presidente do Damed (Diretório Acadêmico de Medicina), Alencastro Vilas Boas, o grupo de estudantes foi ao local levar o “repúdio às declarações racistas” de Dantas.

Dantas, que é baiano, disse que “baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais (cordas), não conseguiria”.

No dia seguinte, ele disse que atribuiu o mau desempenho dos alunos ao “baixo QI dos baianos” como forma de “um desabafo”, pois não acreditava em boicote à prova. Os alunos obtiveram conceito dois no Enade, em um total de cinco.

O Ministério Público Federal na Bahia instaurou procedimento administrativo para apurar as declarações do professor que, no entendimento da promotoria, possuem conteúdo discriminatório racial e de procedência.

Na nota divulgada ontem, Dantas também afirmou que nos últimos dias obteve mais informações sobre o berimbau e que passou a concebê-lo como “um instrumento musical complexo e de difícil execução”.