09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Igreja x ciência


| Tempo de leitura: 3 min

É fato que igreja e ciência não andam de mãos dadas. A verdade é que uma não concorda com os métodos aplicados em suas pesquisas, e a outra não acredita nas suas doutrinas no que tange à Bíblia. O fato é que nós não podemos viver sem os dois. O problema está justamente em conter o poder, a ganância, o individualismo, o ego, etc, que insuflam entre eles. Os conflitos entre as igrejas são freqüentes nos meios de comunicação, onde se percebe que a doutrina A critica a B, a doutrina B critica a C, e assim sucessivamente, mas tendo sempre como objetivo único arrebatar mais fiéis, e assim, aumentar as receitas através de dízimos e “doações”.

As igrejas têm que reconhecer e assumir que para se estabelecerem, ceifaram milhares de vidas, tanto o Catolicismo, Protestantismo, Islamismo, e tantas outras, simplesmente para mostrar para a humanidade quem tem mais autoridade, é mais poderosa, a mais “milagrosa” na fé. Quanto à ciência, sempre almeja seus esforços na medicina em prol da saúde física, para melhorar e retardar o nosso ciclo de vida, enquanto vivemos. Contudo, a comunidade científica precisa ter uma responsabilidade ética, moral e humana para haver um discernimento entre o certo de realizar as pesquisas e o direito de usar a vida. Na ciência é consenso, e até admissível, que os pesquisadores muitas vezes para acertar num medicamento, é necessário sacrificar animais, e até mesmo nós, sim, porque muitas vezes, submetemos a cobaias, na esperança de adquirir a cura nas mais diversas doenças.

Mas os cientistas, descobrindo os mecanismos da vida, mesmo usando nós como cobaias, não podem e nem devem se sentir como semi-deuses, sonhando com isto, querer imitar o Criador. Reconheço que viver sem o auxílio da medicina nesta vida agitada, é impossível, a não ser que a fé da pessoa seja tamanha a ponto de não precisar de comprimidos, seja para a sua saúde, ou simplesmente para sua vaidade. As igrejas, também são imprescindíveis na nossa vida, pois nos trazem um alento, uma compreensão maior, uma esperança de vida melhor, para podermos conviver em harmonia. As igrejas precisam ser mais complacentes nas críticas com a ciência, pois nem mesmo entre elas, é possível uma reconciliação. Acho muito difícil, utópico, criar uma religião única, ou pelo menos, haver uma irmandade entre si.

As igrejas são contra as clonagens, células-tronco, transfusão de sangue, medicamentos contraceptivos, etc., alegando falta de princípio: à vida, tratamentos desumanos, que ferem os conceitos bíblicos. Mas elas têm que admitir que falham também nos princípios, pois exploram, sacrificam, humilham e matam em nome da fé. Se as igrejas não aceitarem os avanços da medicina, elas não conseguirão através das “curas” que prometem, conter uma epidemia catastrófica que pode varrer a humanidade da face da Terra. E os cientistas por sua vez, deixarem de desvendar os enigmas bíblicos, pois isto pertence somente a Deus. Tentar encontrar respostas imediatas a respeito da criação e do Criador é impossível, pois nossa capacidade de entendimento é limitada, e a compreensão que temos do mundo em que vivemos, é incompleta.

A classe científica tem que ser mais humilde, mais unida, e não deixar que o ego predomine entre eles. Por fim, as igrejas têm que procurar trabalhar com afinco as questões relacionadas à fé, à paz e ao amor para que a humanidade seja mais compreensiva, perdoe mais, e seja mais solidária. A ciência, buscando o equilíbrio coerente, sensato entre as cobaias humanas e os animais, desta forma encontrarão soluções para um corpo e mente cada vez mais saudáveis, e uma longevidade maior.

Paulo Roberto dos Santos - RG 12.172.526