Má notícia para quem está construindo ou reformando a casa. Comprar material de construção está até 30% mais caro em relação ao início do ano. Um dos fatores de pressão no aumento dos preços foi a substituição tributária promovida pelo Estado de São Paulo, cuja margem de valor agregado (37%) ficou acima da média praticada pelo mercado. Em 2006, os insumos de construção tiveram aumento de 4%, contra 6% de reajuste em 2007. Cimento e ferro são os principais vilões.
Gerente de uma loja de materiais de construção, José Pedro Filho afirma o que muitos consumidores não gostariam de ouvir: a previsão é de novo aumento ainda nesta semana. “Mas como temos estoque, ainda não repassamos o preço para o cliente”, diz. Os fornecedores já comunicaram a empresa sobre a alteração dos valores, porém, os preços não aumentaram devido ao final de semana prolongado.
Há duas semanas, o saco com 50 quilos de cimento era encontrado por R$ 14,90. O mesmo produto é adquirido atualmente por R$ 17,20. O ferro, produto básico de qualquer obra, registrou alta de 12% e em breve terá nova alta, desta vez de 17%. “Não dá para ficar no prejuízo”, afirma Pedro Filho sobre o repasse dos reajustes ao consumidor.
Custo operacional
Para o também gerente Eliezer de Freitas Costa, o reajuste tem outro motivo. Segundo ele, o aumento não ocorreu no produto em si, mas em função do acréscimo no custo operacional das vendas a prazo, que subiu em razão da extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Com isso, os bancos não iriam absorver eventuais prejuízos.
“A própria financeira também fez revisão em suas tabelas”, justifica. Sobre o reajuste de preços do cimento e ferro, Costa cita o mercado externo. “Quando estávamos exportando, o dólar estava subsidiando esse aumento. A partir do momento em que a moeda caiu, foi necessário fazer o repasse para o mercado interno”.
Ele salienta que o setor irá crescer substancialmente a partir deste mês. Sofrerão reajuste de até 12% metais, pisos, aquecedores e chuveiro elétrico. O chuveiro elétrico, por exemplo, encontrado atualmente por R$ 60,00, terá aumento de aproximadamente 15% e passará a R$ 69,00. Com o aquecimento do mercado, a empresa espera crescer 7,5% em volume de mercadorias devido ao déficit habitacional e novas linhas de financiamentos.
Para o economista Carlos Roberto Sette, o consumidor que calculou investir determinado valor em uma obra terá de refazer os cálculos, uma vez que os preços continuarão subindo. A saída, neste caso, é recorrer a alguma reserva financeira.
“Dependendo do estágio da obra, vale a pena terminá-la agora”, afirma. Ele diz que o aumento nos preços de materiais de construção ocorreu devido à ampliação das linhas de crédito oferecidas pelo governo, que tiveram grande demanda. “Houve aumento na procura e, inevitavelmente, os materiais iriam subir”, conclui Sette.