08 de julho de 2026
Geral

Com 61% de cesáreas, Bauru está distante da meta para parto normal

Por Luciana La Fortezza | Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Antiga, a batalha em favor da redução no número de cesarianas ainda não obteve os resultados esperados no País. Bauru, por exemplo, ainda está bem longe de atingir a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para o órgão, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos, segundo o Ministério da Saúde (MS). Mas no ano passado, o índice foi de 61,56%, numa média que leva em conta números da Maternidade Santa Izabel e do Hospital Unimed.

Juntas, as duas instituições representam a grande maioria dos partos realizados na cidade. Quando o foco recai apenas sobre as pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o percentual de cesáreas cai para 39,4% .

Em Bauru, exclusivamente as parturientes do SUS são atendidas na maternidade. “O que não nos deixa chegar a essa porcentagem ideal é que somos referência na região de Bauru em gravidez de alto risco. Para muitas pacientes que têm gravidez de alto risco, a cesariana é indicada”, ressalta o diretor clínico da Maternidade Santa Izabel, Sérgio Henrique Antonio.

Porém, quando são incluídas as mulheres com convênio ou que se submetem ao procedimento de forma particular na própria instituição, o percentual de cesáreas passa a 50,21%. Alto, ele é bastante inferior aos índices do Hospital Unimed Bauru que, no ano passado, fez apenas 29 partos normais, ou seja, 2,45% dos 1.180 partos.

Esforços

Apesar dos números, a assessoria de imprensa ressalta o esforço da cooperativa em orientar profissionais na área de ginecologia e obstetrícia para que realizem cesáreas apenas em casos de necessidade. A Unimed disponibiliza em seu site (www.unimedbauru.com.br) material referente ao assunto, onde constam as vantagens do parto normal.

Também realiza bimestralmente o curso para gestantes, gratuito e aberto aos não-usuários, em que o tema é abordado. A mesma iniciativa foi adotada recentemente pela maternidade, que também oferece curso destinado a pais e gestantes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

As duas entidades apóiam a política do Governo Federal de incentivo ao parto natural. Para alterar o atual quadro, o Ministério da Saúde lançou ontem a Campanha de Incentivo ao Parto Normal. Levantamento com dados de 2006 encomendado pelo órgão demonstra que a cesariana já representa 43% dos partos realizados pelo SUS no Brasil. Entre as mulheres que utilizam planos de saúde, esse percentual é ainda maior, chega a 80%. Os números são próximo aos de Bauru.

____________________

Por região

Os Estados da região Sudeste registram os índices mais elevados de cesariana no Brasil, totalizando 52% do número total de partos. A região Norte, por outro lado, registra os menores percentuais: 35%.

“No Sudeste, o modelo de atenção obstétrica vigente, com maior valorização do parto operatório está mais consolidado. Essa também é a região onde as escolas médicas tiveram papel preponderante de disseminação desse modelo. Na região Norte há um maior número de partos normais”, comenta a coordenadora da área técnica de saúde da mulher, Regina Viola.

No Amapá, a prevalência de partos normais é de 75%. O alto índice das cesáreas leva a uma série de prejuízos: para o bebê, para a mãe e para a gestão dos serviços de saúde. Estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas) têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo UTI Neonatal.

Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Um dos aspectos já identificados pelo ministério como causa para o aumento das cesáreas é o menor tempo de assistência médica necessária, em relação ao parto normal. Por isso, a campanha também sensibilizará os profissionais de saúde, as universidades e conta com o apoio das entidades médicas e científicas.

A falta de informação entre as mulheres também seria outro agravante, pois faz com que elas não participem dessa escolha e, mesmo que num primeiro momento expressem a vontade do parto normal (70%, segundo pesquisas recentes do Ministério da Saúde, no decorrer do trabalho de parto, são convencidas por um ou outro motivo a aceitar o parto cirúrgico.

Em várias situações ocorre o desrespeito ao protagonismo feminino, prevalecendo convicções pessoais do profissional assistente, nem sempre baseadas nas melhores evidências científicas, conclui a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde.