As taxas de cesariana no Brasil crescem desde 2002 e são quase o triplo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O organismo recomenda o percentual máximo de 15%, enquanto o País tem índice de 43%, de acordo com dados de 2006 divulgados hoje pelo Ministério da Saúde.
A situação é mais grave no setor privado. Entre planos e operadoras de saúde, o percentual é de 80%, contra 26% no Sistema Único de Saúde (SUS). Na rede pública, a taxa é de 26%. O quadro se acentua no Sudeste. Em São Paulo, 54,9% dos partos em 2006 foram cesarianos. Em 1999, a taxa ficava em 46,8%.
Os índices -classificados pelo ministro José Gomes Temporão (Saúde) como uma “epidemia de cesáreas’’- foram divulgados ontem no lançamento de uma campanha do Ministério da Saúde para reduzir o número de cesarianas.
Com cartazes e propagandas em rádio, televisão e mídia impressa, o lema da campanha é “Deixe a vida acontecer naturalmente”. Ela ataca o que Temporão chama de dimensão “cultural’’ do problema -”uma certa ilusão de que a cesárea é mais simples, evita dor’’.
Segundo Adson França, diretor do departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, não se trata de uma campanha contra a cesariana. “Se há uma indicação médica, (a cesariana) é um avanço para a humanidade. Se não tem, além de não ser ético, aumenta o risco de morte, de tirar o bebê antes da hora’’, afirmou, acrescentando ainda que isso pode acarretar problemas respiratórios nos recém-nascidos.
Temporão admite, porém, que, além do problema cultural, pesa para o alto índice de cesarianas fatores econômicos, como a remuneração do procedimento pela tabela do SUS -R$ 403,09 para parto normal contra R$ 545,73 para cesariana. Ele falou que poderá “estudar’’ mudanças nos valores.
“A principal razão é a forma como está estruturada a assistência à parturiente no setor privado’’, afirma Fausto Pereira dos Santos, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).