Os apaixonados pela literatura e humor de Luis Fernando Veríssimo terão a oportunidade de conhecer, hoje em Bauru, uma outra face do artista: a de músico. O ‘escritor-jornalista-músico’ e sua banda Jazz 6 lançam “Four”, o quarto disco do grupo, no show realizado no Serviço Social do Comércio (Sesc), a partir das 21h, pelo projeto “Quartas Musicais”.
Jazz 6 surgiu em 1995 e ficou conhecida pela maneira que mescla o estilo jazzístico ao balanço brasileiro. A idéia de fazer um conjunto de jazz veio do amigo e contrabaixista Jorge Gerhardt. “Dividimos o gosto pelo jazz e pela bossa nova. Assim, quando Jorge me convidou para formar a banda, topei na hora”, conta o escritor em entrevista concedida por telefone ao JC Cultura ontem, a caminho de São Carlos para mais uma apresentação.
Além do escritor tocando sax alto e Jorge, a banda é formada também por Luiz Fernando Rocha, no trompete e flugelhorn, Adão Pinheiro, no piano, e Gilberto Lima, na bateria. E, como gostam de divulgar os músicos, representam o único sexteto com cinco integrantes. “Mesmo com a saída de Geraldo Schuler, decidimos manter o nome do grupo”, explica o escritor.
Para Veríssimo, o grupo, além de ser um sexteto de cinco integrantes, possui apenas quatro músicos. Modesto, considera-se um amador entre os seus companheiros. “Eu não tenho a música como carreira. Eu toco por hobby e pela minha paixão por ela. Músicos profissionais são eles”, diz, referindo-se à sua banda. Mas o escritor é amante do jazz desde os 16 anos, quando foi morar em Washington e, um ano depois, já iniciou seus estudos no saxofone.
O nome “Four” dado ao quarto disco da banda não é considerado uma opção muito original, mas Veríssimo explica o motivo. “Além de ser o quarto CD, tocamos duas músicas do Miles Davis e uma delas é “Four”, além de “Tune Up”. Fica como uma homenagem a ele”, revela.
Em continuidade ao trabalho que desenvolveram nos três discos anteriores, o novo álbum está recheado de boa música brasileira como “Vivo Sonhando”, de Tom Jobim; “Samba de Verão”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle; “A rã”, de João Donato e Caetano Veloso, e “Se eu quiser falar com Deus”, de Gilberto Gil. Além dessas, o disco traz grandes clássicos do jazz internacional como “Blues for Ig” (Gary Campbell), “Fantasy For drums” (Ramsey Lewis), “Just Friends” (John Kleener)”, “Don’t get around much anymore” (Duke Ellington e Bert Berns), “Who’s sorry now” (Tedy Snyder) e “Caravan” (Irving Mills, Duke Ellington e Juan Tizol).
Depois do show em São Carlos, realizado ontem, o grupo apresenta-se amanhã em Ribeirão Preto e sábado em Sorocaba. Para Bauru, Veríssimo reserva boas expectativas para a apresentação de hoje e espera encontrar o público jovem. “Ao contrário do que pensam, essa tem sido uma tendência. Jovens também se interessam por jazz e bossa nova”, conta.
Sobre a sua outra arte, o escritor promete, para o final deste ano ainda, o lançamento de dois livros de crônicas, um deles já intitulado “Comédias para se Ler em Casa”.
Aqueles que quiserem aproveitar ainda mais a passagem de Veríssimo por Bauru poderão se deliciar com um bate-papo, promovido gratuitamente pelo Sesc, às 17h30.
• Serviço
Bate-papo com Veríssimo hoje às 17h30 e show da Jazz 6, às 21h. Ingressos: R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados e dependentes), R$ 4,00 (usuário inscrito, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 8,00 (demais interessados). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações pelo telefone (14) 3235-1751.