Boa Vista - Cerca de 11 mil alunos de 200 escolas localizadas em terras indígenas de Roraima ficarão sem aula por tempo indeterminado após o conflito ocorrido na última segunda-feira, quando dez índios ficaram feridos em confronto com funcionários da fazenda Depósito, na reserva indígena Raposa/Serra do Sol.
Segundo o CIR (Conselho Indígena de Roraima), as nove organizações indígenas do Estado aprovaram a paralisação por causa da “insegurança provocada pelos atos de violência desencadeados por empregados dos arrozeiros”.
Em documento que será encaminhado a autoridades, as organizações sustentam que “pais de alunos, professores, gestores e a comunidade escolar indígena em geral temem pela segurança e integridade física de todos”.
Mais postos militares
O governo vai ampliar a presença das Forças Armadas na região Amazônica. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que o objetivo é ampliar a presença nas áreas de fronteira e dentro de reservas indígenas.
“Nos próximos meses vai haver crescimento exponencial da presença das Forças Armadas na região Amazônica”, disse Jobim.
O ministro se reuniu ontem com comandantes do Exército e Aeronáutica para discutir a elaboração de um plano sobre a ampliação das Forças Armadas na Amazônia. Segundo ele, o plano - que deve levar 90 dias para ficar pronto - será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Raposa/Serra do Sol
Em relação ao conflito entre não-índios e indígenas dentro da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, Jobim afirmou que as terras em disputa são da União. “Essas terras indígenas são terras brasileiras. São compatíveis com a soberania nacional da Defesa.” Depois do acirramento dos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol (RR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu vai aumentar o número de postos militares nas áreas fronteiriças da Amazônia. A orientação de Lula foi transmitida ontem aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) para que ambos definam os números e os detalhes do texto do decreto a ser editado.
Tarso disse que os detalhes do decreto ainda não foram definidos, mas que nos próximos dias ele e Jobim fecharão os números. O ministro negou que a decisão tenha sido provocada pela pressão das Forças Armadas, especialmente do Exército - após as críticas do comandante militar na Amazônia, general Augusto Heleno, que condenou a política indigenista do governo federal.