O sistema elétrico do Estado de São Paulo está sobrecarregado. A demanda de consumo tem aumentado 5% a cada ano e a infra-estrutura elétrica já apresenta alguns gargalos. Bauru não foge à regra. Com uma subestação que atende boa parte da região, o sistema fica sobrecarregado e entre as conseqüências está o risco de corte emergencial do fornecimento, como informa o coordenador de Energia da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Jean Negri, em entrevista ao Jornal da Cidade.
Segundo dados da secretaria, em 2006, o consumo da região de Bauru foi de 2,2 mil gigawattshora (GWh), o que representou 2% de todo o consumo do Estado, que foi de 108,7 GWh. No final de abril, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avaliou a situação de algumas regiões do Estado e apontou Bauru como sendo um dos pontos de risco.
Para amenizar a possibilidade de déficit, uma série de obras consideradas prioritárias pelo governo devem ser liberadas ainda neste ano. De acordo com Negri, para diminuir os riscos de ocorrências, estas implementações devem ser agilizadas. “Ressaltamos que a necessidade da realização dessas obras já estava identificada e prevista no planejamento setorial da expansão do sistema de transmissão, não sendo caracterizadas como obras emergenciais e sim como obras ‘prioritárias’ para o Estado de São Paulo”, descreve.
Uma das obras que deverão ser custeadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é a construção de uma subestação na região, que de acordo com Negri, deverá “aliviar” a subestação Bauru.
“Esta subestação será implantada em Getulina, principalmente para reforçar a área de Lins, Marília e Tupã. Hoje parte daquelas regiões é alimentada pelo sistema elétrico que atende a região de Bauru, portanto, a implantação da subestação Getulina, indiretamente, proporcionará um beneficio a Bauru”, explica.
O leilão para a construção desta e de mais quatro subestações e uma linha de transmissão está previsto para o dia 27 de junho. Mas a expectativa é que devem entrar em funcionamento somente em 2010.
A principal porta de entrada de energia da região é a subestação Bauru da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), que recebe energia através de linhas de transmissão de 440 quilovolts das usinas Jupiá, Ilha Solteira, no rio Paraná, e de usinas Capivara e Taquaruçu, no rio Paranapanema. Esta subestação possui uma transformação de 440 para 138 quilovolts (kV) com dois transformadores de 150 megavoltampere (MVA) cada que suprem a distribuidora CPFL no atendimento a Bauru e outras localidades da região.
Outra melhoria divulgada por Negri é a implantação de mais um transformador de 150 MVA na subestação até o final deste ano. “Isto dará mais folga e confiabilidade ao atendimento a Bauru”.