11 de julho de 2026
Nacional

Absolvição no caso Dorothy encoraja novos crimes, diz presidente da CNBB

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O vice-presidente da CNBB (Conferência Nacional de Bispos do Brasil), d. Luiz Soares Vieira, disse ontem que a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, pode encorajar novos crimes no Pará. “A impunidade incentiva crimes cada vez maiores. As pessoas vão ficando cada vez mais encorajadas, mais ousadas”, afirmou.

Bida foi acusado de ser o mandante do assassinato da freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, e foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Belém, na terça-feira.

O secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, disse que a absolvição de Bida pegou o país inteiro de surpresa. Ele pediu uma reforma do Judiciário e criticou a dependência do sistema brasileiro de provas testemunhais.

“É um exemplo de como temos que caminhar para uma reforma do Judiciário. A condenação de determinados crimes ainda depende muito de testemunhas”, disse.

Ele citou o caso da morte da menina Isabella em que provas periciais incriminaram o pai e a madrasta da garota. “A imensa maioria dos assassinatos não dispõe dessa capacidade técnica”, disse.

De acordo com d. Barbosa, o tema da Campanha da Fraternidade de 2009 será “Fraternidade e Segurança Pública”. Ele criticou ainda a defesa de direitos humanos que levam à impunidade.

“Claro que mesmo o preso tem a sua dignidade e não deve ser tratado como bicho, mas o respeito aos direitos humanos não significa impunidade”, completou.

Ameaças

Dom Luiz lembrou que pelo menos três bispos estão sob constantes ameaças no Pará: d. Erwin Kraütler, d. José Luiz Azcona Hermoso e d. Flávio Giovenale. Dom Erwin é escoltado diariamente por seis policiais que se revezam.

“Dom Erwin está sendo condenado à morte por ter feito críticas às agressões ao meio ambiente na Amazonas. Ele está defendendo a lei e quem se coloca ao lado da lei é jurado de morte”, afirmou.