09 de julho de 2026
Polícia

Aluno tenta atirar em colega na classe

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Um estudante de 14 anos da escola estadual Professor Francisco Antunes, na Vila Seabra, entrou armado no colégio, na tarde de ontem, e tentou atirar contra um colega de 13 anos, dentro da sala de aula. Uma tragédia só foi evitada porque a arma, uma antiga garrucha calibre 22, falhou.

Em depoimento prestado à polícia, o adolescente nega ter ameaçado o colega de classe. Ele afirma ter levado a arma, que pertence ao avô, apenas para exibi-la aos amigos. No entanto, os policiais que atenderam a ocorrência revelaram que, no projétil, havia evidências de uma tentativa frustrada de disparo.

Os dois meninos estão matriculados na 7ª série da da escola estadual, localizada na quadra 10 da rua São Lourenço. De acordo com o relato da vítima - um pequeno garoto aparentando estar bastante assustado -, nunca houve um desentendimento anterior que pudesse justificar a atitude do adolescente.

“Eu não conversava muito com ele, mas nunca brigamos”, contou a vítima à reportagem. A identidade dos envolvidos não será revelada em respeito às determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ontem, por volta das 14h30, os dois alunos estavam sentados lado a lado e assistiam a uma aula de português quando o menino de 14 anos teria retirado a garrucha da mochila, a engatilhado e apontado em direção à perna do garoto de 13 anos. “Ele apertou e a arma fez ‘tec’. Como não aconteceu nada, ele tirou a bala de dentro da arma e disse que ia me pegar na saída”, conta a vítima.

Como a arma falhou, num primeiro momento ninguém teria percebido qualquer movimentação dentro da sala. Assustado, o aluno teria ido até a professora, que escrevia à lousa, mas não revelou o que havia acontecido. Disse apenas que estava com dor no estômago e precisava ir embora. Já com permissão da diretoria, falou com a mãe ao telefone, ainda sustentando que sentia dores abdominais.

“Como ele sempre teve crises fortes de gastrite, eu fui correndo. Quando cheguei, ele só dizia: ‘vamos embora, mãe, vamos embora’. Ele queria sair da escola de qualquer jeito”, recorda-se a mãe.

Depois de deixarem o prédio, por volta das 15h30, o menino contou toda a verdade e a mãe, apavorada, retornou ao colégio. Como já era o horário de intervalo das crianças, a diretora foi até a sala da 7ª série, que estava vazia, e vasculhou os pertences do adolescente que teria tentado disparar a arma, assim como algumas mochilas que estavam sob as mesas próximas. Escondida em uma das bolsas, ela encontrou a garrucha.

O dono da mochila, um adolescente de 14 anos, relatou aos policiais que teria guardado a garrucha a pedido do colega, mas que não tinha a intenção de ferir ninguém. Após encontrar uma arma dentro da escola, a diretoria acionou a polícia e os demais alunos foram dispensados mais cedo do colégio.

O menino que teria tentado efetuar o disparo foi levado ao Plantão Policial. Autuado em flagrante por prática de ato infracional, ele seria encaminhado ao Núcleo de Apoio Integrado (NAI) ainda ontem. De acordo com o delegado plantonista Carlos Mariotto, o estudante que guardou a arma em sua mochila seria liberado.

Indisciplina

Segundo uma funcionária do colégio que preferiu não se identificar, o garoto que levou a garrucha ontem à escola já vinha apresentando problemas de indisciplina desde o início do ano, quando veio transferido da escola estadual Vereador Ferreira de Menezes, no Parque União.

Ela conta que, por várias vezes, o adolescente já teria perturbado o andamento das aulas e, inclusive, intimidado outros alunos com ameaças, que sempre foram tomadas como inofensivas. “Ele veio transferido porque já tinha problemas na outra escola. Houve várias tentativas para integrá-lo no novo colégio, os pais dele sempre estiveram presentes, mas ele sempre foi um aluno muito difícil”, revela.

A funcionária destaca que a escola, pequena, nunca havia registrado um caso de violência tão grave como este. A mãe da vítima, que matriculou seu único filho há dois anos no colégio, concorda.

“Sempre foi um lugar calmo, onde todo mundo conhece todo mundo. Jamais imaginei que isso pudesse acontecer. Está todo mundo muito assustado”, frisa. De acordo com a mãe, seu filho está com muito medo de voltar a freqüentar as aulas. Por este motivo, ele deverá ser transferido para o período da manhã.