Apesar de toda a burocracia existente, muitos brasileiros estão conseguindo alcançar, em razão da economia estável, o sonho da casa própria. Pela lógica, o mercado de aluguel deveria sofrer retração natural com essa situação, mas não é isso que vem ocorrendo em Bauru. Aliás, de acordo com as imobiliárias consultadas pelo Jornal da Cidade, isso está longe de acontecer.
Segundo a delegada do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) Wânia Pôrto, o mercado de locação está aquecido, mesmo diante das recentes ampliações das linhas de financiamento oferecidas por instituições financeiras para a compra de imóveis. O crescimento populacional e o acentuado déficit habitacional no País são os motivos pelos quais o consumidor ainda prefere pagar aluguel.
Segundo Wânia, a flexibilidade das imobiliárias quanto à comprovação de renda em relação aos bancos é outro fator que aumenta a demanda por locação. “As pessoas precisam comprovar renda (no banco), o que dificulta a liberação de verba”, explica. “Nas imobiliárias, o cliente precisa apenas de um fiador”.
Ela afirma que, nos últimos meses, o número de locações foi maior que o de vendas de imóveis na cidade. Segundo Wânia, a maior parte das pessoas que financiam casa opta por parcelas de até R$ 300,00 por mês.
Diretor de uma imobiliária em Bauru, Célio Pessan afirma que não há um cálculo que permita apontar a média de imóveis comercializados, uma vez que as vendas são sazonais. “Mas o número de locações ainda é maior que o de vendas, cujo aluguel não ultrapassa três salários mínimos”, observa.
De acordo com a assessoria de comunicação da Caixa Econômica Federal, não há uma média específica sobre o preço das parcelas pagas para o cliente que deseja fazer um financiamento. Como cada caso é analisado individualmente, linhas de financiamento, renda familiar, prazo de pagamento e valor do imóvel são determinantes para a liberação do dinheiro. As parcelas não podem ultrapassar 30% da renda e os clientes do banco têm juros diminuídos em relação a outras pessoas. No site da agência (www.cef.com.br) é possível calcular a prestação a ser paga a partir do valor da carta de crédito e do prazo de pagamento.
Em uma simulação cujo valor do imóvel é de R$ 100 mil e a renda bruta mensal do interessado de R$ 3 mil, o banco financia 70% do montante e a primeira prestação fica em R$ 787,28. O prazo para pagamento é de 360 meses.
Pesquisa
Segundo o Creci/SP, em janeiro de 2008 a venda de imóveis usados teve queda de 2,56% em comparação a dezembro do ano anterior. O mercado teve desempenho negativo em três das quatro regiões em que o estudo é dividido: queda de 3,25% na Capital, 3,12% no Interior, que inclui Bauru, e de 3,26% no Litoral. No grande ABC, as vendas do período aumentaram 1,72%. Em relação à locação, a pesquisa apurou que esse índice evoluiu de 2,15% em dezembro para 2,16% em janeiro, alta de 0,68%. No Interior, as contratações cresceram 2,93% no período.
A locação de imóveis no Estado em 2007 recuou 3,75% em comparação ao ano de 2006. Somente no Interior alugaram-se mais imóveis, com alta de 1,85%. Já a venda de imóveis usados registrou modesto crescimento de 0,64%.