10 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Guerrinha reclama de falta de apoio e elogia equipe

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

O técnico Guerrinha anda, ao mesmo tempo, contente e descontente. A contradição tem uma explicação: são dois motivos diferentes ligados ao seu time, o GRSA/Bauru. O treinador está satisfeito com a resposta de sua equipe dentro da quadra, onde vem fazendo jogos equilibrados diante de equipes mais estruturadas e experientes na Supercopa de Basquete. Porém, o que tem decepcionado o comandante do GRSA é o pouco apoio que o projeto do Bauru Basketball Team vem recebendo do empresariado bauruense.

Anteontem, após a partida entre o GRSA e Assis, Guerrinha aproveitou para desabafar contra a falta de apoio e comparou a realidade das duas equipes, que tinham acabado de fazer uma partida extremamente equilibrada. “Falta para Bauru empresas que ajudem no orçamento como a Prefeitura de Assis, que banca metade do time. Falta empresários em Bauru, como são os empresários da Conti, que patrocinam o time (Assis) que custa seis vezes o nosso orçamento. A hora que tiver em Bauru isso, vamos ter um time como tínhamos o Tilibra (Copimax)”, lembrou, citando a equipe que, sob seu comando, conquistou um título nacional e um paulista.

Ainda usando o exemplo de Assis, Guerrinha afirmou que somente com maior investimento será possível cumprir o objetivo de ter uma equipe mais competitiva no Campeonato Paulista. “Faltam dois, três jogadores no nível de estrangeiros, no nível do Nezinho, e para isso precisa de investimento. A cidade está muito tímida ainda, não abraçou o projeto. A gente vê poucos empresários nos apoiando e, lógico, o time só vai ter este custo com mais verba. Com um terço da verba de Assis (atual orçamento do GRSA), vamos ter um time neste nível e jogando com amor, dedicação, mas sem a qualidade para ganhar alguns jogos”, ponderou.

Guerrinha fez questão de enfatizar que o patrocínio não se trata de uma ação de caridade, mas de investimento, que trará retorno às empresas. “Não estamos pedindo ajuda, é investimento, tem retorno. Hoje, Bauru tem muito mais mídia que o próprio Assis na região. É um time que tem um projeto social, dentro e fora da quadra. Não estamos pedindo ajuda, o esporte hoje não depende de ajuda. Ajuda é quem não faz nada e fica pedindo esmola. Estamos pedindo investimento. É necessário os empresários daqui, que ganham dinheiro aqui, darem retorno para a sociedade”, declarou.

“Hoje (anteontem) o projeto ‘Rota do Basquete’ esteve aqui (na Luso), trazendo garotos que pela primeira vez tiveram a chance de vir a um ginásio de esportes. Tomara que um desses meninos, um, siga um caminho bom, tendo orientação esportiva, que é o que estamos fazendo. Então, isso tudo é um projeto. Não estamos pedindo ajuda, esmola para ninguém. É uma coisa real, que é necessária. A responsabilidade ambiental e social, hoje, é de todos. E, principalmente, de quem ganha dinheiro na cidade”, complementou.

Satisfação com time

Se o treinador não esconde a decepção com a ausência dos empresários bauruenses no projeto do Bauru Basketball Team, dentro de quadra está satisfeito com o desempenho de sua equipe. “O mais importante é ver o que está sendo feito. Entramos em um campeonato como a Supercopa, já com os sete melhores (times) do campeonato (Paulista) passado. Estamos fazendo jogos de igual para igual, a equipe conseguiu uma maturidade muito grande. Dentro do nosso objetivo, que é revelar jogadores, já temos jogadores como o Alex, o Otávio e o Gaúcho, que estão se destacando na competição. Então, estamos cumprindo nossa função muito bem”, julgou.

Guerrinha acredita que a equipe cumpriu seu papel dentro da Supercopa e lembra das limitações financeiras que o GRSA enfrenta para enaltecer o comprometimento dos jogadores. “Mostramos dentro da quadra uma evolução muito grande para pouco tempo de trabalho e o pouco investimento. A gente teve de usar o investimento até para reformar o ginásio. Isso (reforma) foi tirar dinheiro da gente, poderia ter um, dois jogadores a mais”, considerou.

Mesmo ao elogiar seus jogadores, o técnico não deixa de alfinetar a falta de apoio local. “O projeto está seguindo e a gente espera a sensibilidade dos empresários. Sem investimento você fica limitado. A gente espera ter a possibilidade de investimento para trazer um jogador estrangeiro do nível que já tivemos, como Patterson, Evans ou jogadores de nível de Seleção Brasileira, como já tivemos. Mas tinha uma empresa, que era a Tilibra, que investia. Ela queria dar um retorno para a sociedade do que ela ganhou”, frisou.

Apesar do descontentamento com a atual falta de apoio, Guerrinha está otimista para o Campeonato Paulista. “Temos uma equipe que joga coletivamente. Não vamos ter nenhum jogador de 50 pontos (referência ao armador Nezinho, que fez 49 pontos para Assis, anteontem, contra o GRSA), mas, no Paulista, coletivamente, vamos ganhar muitos jogos. Necessitamos de dois, três jogadores. Isso vai depender de orçamento, porque a atual diretoria é responsável administrativamente. Não vamos fazer loucura para depois ficar devendo. Se a gente tiver verba para ter este (atual) time, ou trocar um ou dois, seis por meia-dúzia, ou trocar um jogador que não deu certo por outro mais jovem, vamos seguir esta linha. Se a gente conseguir investimento, tem a possibilidade de trazer jogador (diferenciado)”, condicionou.

Mas e a verba para contratar os reforços? Segundo Guerrinha, até o momento, trazer os três jogadores para montar a equipe “ideal” não é possível. “Temos pouco (dinheiro) ainda. Conseguimos (verba) para um jogador, com muito trabalho da diretoria. Precisávamos do dobro desta verba para fazer uma equipe, não é para disputar título, uma equipe intermediária, competitiva.”

De acordo com o treinador, os reforços devem vir do exterior. “No mercado brasileiro, deste nível, fica caro. Nós buscaríamos estrangeiros. Precisamos de um 2 (ala/armador) e um 4 (ala/pivô)”, concluiu.