08 de julho de 2026
Turismo

Santiago de Compostela

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Paulo Coelho fez a maior publicidade do caminho, mas há séculos, muito antes do escritor-mago enfrentar dias e dias de cajado, Santiago de Compostela já era conhecida mundialmente como um dos roteiros turísticos obrigatórios para quem tem fé. Com a mesma importância de Jerusalém e Roma.

Via Ibéria (www.iberia.com) os viajantes brasileiros desembarcam em Madri para se entregar de corpo e alma ao misticismo que cerca essa viagem mágica, escolhendo um dos vários caminhos disponíveis.

São vários: o caminho Aragonês, o Real Francês - passando por Navarra, A Rioja, Burgos, Palência, León e Galícia; a Rota da Costa, o Caminho do Oriente (subindo pela Extremadura), o Caminho Inglês e o português. Prova de que Santiago de Compostela atrai visitantes de todos os pontos do planeta que querem seguir o caminho das estrelas assinado pela Via Láctea, encontrando o túmulo de Santiago, para ganhar o perdão dos seus pecados.

Se até o imperador Carlos Magno o fez, porque não nós, simples mortais? Pois bem, para quem quer partir para a empreitada, chegou a melhor época do ano para tal, por conta do sol que voltou a brilhar na Península Ibérica.

Lá, a Primavera reina, abrindo com luz esse caminho mágico, que é muito mais fácil e bonito de se fazer cruzando-se o Norte da Espanha. O fluxo humano que forma uma corrente, unindo vários países da Europa no entorno França-Portugal-Espanha, recebeu de Dante o nome de “peregrinação”.

Peregrinação que se intensifica ainda mais quando o Dia de Santiago (25 de julho) cai num domingo, chamado de ano jubilar ou ano santo. O próximo será em 2010 e depois somente em 2021. Por isso é melhor fazê-lo agora. Com lenço, mochila, sapatos resistentes, documento e máquina fotográfica.

____________________

Andar com fé e o Santo Graal

Todos que já fizeram o caminho de Santiago de Compostela são unânimes em dizer que não voltaram como foram. Vários bauruenses já cruzaram a rota - inteira ou em partes - pelo País Basco, na maioria, como Marco Aurélio Pinheiro Brisolla, Zarcillo Barbosa e o engenheiro José Cardoso Neto.

A caminhada propõe um encontro com o “eu”, um encontro com “si mesmo”, passando por montanhas, aldeias, cidades, albergues, monjoie - montículos de pedra -, solos empedrados até a chegada triunfal em Compostela, cidade de beleza milenar.

A terra que acolhe os restos mortais de Santiago é a Galícia, terra fértil, montanhosa, agreste por vezes, mas sempre gratificante e que ainda conta com uma aldeia histórica, o Cebreiro - na Província de Lugo, a cerca de 150 quilômetros de Compostela - com casas de pedra e tetos de palha habitadas até pouco tempo e que foram transformadas em museu e sede de um escritório de turismo rural.

No Cebreiro é obrigatória a visita à sua igreja, que guarda o Santo Graal, no qual se transformou o vinho em sangue de Cristo, milagre que teve lugar à volta de 1300 e por meio do que a hóstia se converteu em pão. Lá os sinos soavam durante os invernos para orientar os peregrinos no meio da névoa.

As casinhas pré-romanas, feitas de pedra em forma oval e cobertas de palha do Cebreiro são chamadas de “pallozas”, pontuando o percurso montanhoso na Galícia (www. turgalicia.es).

É linda a visão do alto da montanha, da vilinha de pedra, no vale, onde fica o Santuário de Santa María A Real. A igreja é do século 9 e é apenas uma pílula das emoções que virão pela frente, até se chegar a Compostela. A gravação de canto gregoriano faz com que os visitantes cheguem às lágrimas, tendo o sangue de Cristo - o Santo Graal - como testemunha.

Por entre as vilas, cidades, aldeias, o turista encontra lojas de souveniers, que vendem presentinhos e cajados de vários tamanhos - um infantil custa 5 euros e o de adulto, com cabeça, por 18 euros.

Aproveite para um pouco mais de aula de história. Visitando ainda na Província de Lugo o Mosteiro de Samos, que mistura os estilos romântico, gótico, renascentista e barroco; em Ponferrada (www. ponferrada.org) seu castelo dos templários; em Villafranca del Bierzo, a Posada Real Paraíso del Bierzo e em Las Herrerísas de Valcarce uma casa do século 19 que já foi fábrica de manteiga.

Há muitas opções de albergues na região, incluindo um representante tupiniquim: o Albergue do Brasil - Nossa Senhora Aparecida (www.alberguedobrasil.com), em Vega de Valcarze. No trajeto há mochileiros de aluguel - como ocorre em Machu Picchu, no Peru - para te ajudar a subir e descer pelo caminho, com as mochilas, cobrando entre 2 e 3 euros.