Certa vez os meus amigos Luiz, José, João, Atílio e Tomáz foram pescar no rio Miranda. No regresso e num bate-papo sobre aquela pescaria, o Luiz me contou um fato acontecido. Em razão da água do rio estar turva, devido às chuvas, resolveram descer de barco à procura de um lugar melhor, visto que a pescaria estava fracassada. Três dias sem pegar um só peixe!
Após percorrerem uns 5 quilômetros rio abaixo e numa forte correnteza, avistaram um grande peixe e que subia nadando pelo rio. O João, que pilotava o barco, retornou na direção do peixão que subia rio acima. O José e o Atílio rapidamente de posse do remo bateram bem forte no lombo do peixão em movimento. Na pancada forte, o remo quebrou ao meio.
Pela correnteza, não perceberam que o barco havia descido uns 30 metros e o Tomaz gritou com o João dizendo que o peixe continuava vivo e nadando contra a correnteza. Quando o barco passou perto do peixe, o Atílio pegou o facão e bateu com força no peixe. A pancada foi tão forte que o facão caiu das mãos do Atílio, indo para o fundo do rio.
O Tomaz e o José gritaram para o João continuar subindo o rio porque o peixe estava nadando ainda. No corre-corre dentro do barco, o Luiz e o Atílio tropeçaram no tambor de iscas vivas, derramando no barco toda a água e os peixes pequenos, molhando toda a tralha, camisas, pacotes de cigarros. A movimentação deles dentro do barco era tão grande e descontroladas que ainda viram novamente o peixe subindo o rio pela correnteza.
Outra vez o João encostou o barco bem ao lado do peixe, o Luiz e o Atílio arrancaram a tábua do banco do barco para acabar de matar o peixe ainda vivo. No corre-corre, o Luiz descuidou e a tábua do banco bateu no garrafão de água potável, no litro de cangibrina que eles levavam e na garrafa térmica de café, quebrando tudo.
Ao chegar pertinho do peixe, perceberam o engano, pois não era peixe e sim a ponta de uma raiz da árvore que flutuava naquela grande correnteza, dando a impressão de tratar-se de um enorme peixe em movimento!
Assim terminou o reino encantado dos pescadores Luiz, Atílio, José, João e Tomaz.
Dorival Nogueira é pescador e contador de histórias.