08 de julho de 2026
Nacional

Marina nega estar magoada com Lula

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente) disse ontem que não deixou o governo magoada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela saiu em defesa de Lula ao negar que o presidente tenha como prioridade o desenvolvimento do país em detrimento das políticas ambientais.

Marina disse que, se o seu objetivo fosse sair como “heroína”, teria deixado o cargo durante os embates com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para a concessão de licenças ambientais na construção de hidrelétricas do rio Madeira - que estão entre as principais obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

“Naquele momento eu poderia sair como heroína, mas em nenhum momento o presidente Lula disse para conceder as licenças ambientais para as hidrelétricas de qualquer jeito. É claro que houve o tensionamento de setores, mas ele não disse que queria as coisas de qualquer jeito. Se eu saísse naquele momento, seria uma injustiça, ficaria a impressão de que ele estava passando por cima de mim”, enfatizou.

A ex-ministra disse que, apesar de não pedir pessoalmente ao presidente para deixar o governo, deixou claro na carta de demissão o tom “respeitoso” com que se dirigiu a Lula. Marina disse que seu objetivo não foi constranger o presidente ao sair do ministério em meio ao embate com os ministros da chamada “ala desenvolvimentista”. “Eu aguardei para fazer isso. Não foi em hipótese alguma (para constranger o presidente), foi da forma respeitosa como eu sempre fui.”

Na terça-feira, quando Marina deixou o cargo, Lula não escondeu a irritação com o fato de a então ministra ter encaminhado sua carta de demissão ao Palácio do Planalto sem justificar-se previamente. Interlocutores de Lula ainda tentaram reverter a decisão de Marina, mas na carta ela deixou claro que seu afastamento era de “caráter irrevogável”.

Preservação

Marina Silva disse que sua saída acabou forçando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a manter como prioridade do governo a preservação do meio ambiente.

Marina disse reconhecer a necessidade das chamadas políticas “desenvolvimentistas”, mas não escondeu o “alívio” com as declarações de Lula de que não pretende mudar as políticas ambientais após sua demissão.

“Eu saí por entender que, pelo menos comigo, não se avançaria na consolidação do que existe de desenvolvimento. Não que eu queira ser narcisista, mas talvez o ato (da demissão) tenha criado um bom fato e temos a certeza de que (a política ambiental) não vai mudar”, afirmou.

Na opinião da ministra, “é fundamental que compatibilizemos as políticas ambientais com o desenvolvimento econômico. Isso leva tempo, não é do dia para a noite.”

Marina disse não considerar que sua demissão tenha sido uma “derrota” da ala ambientalista dentro do governo. “Mesmo nos momentos mais dramáticos, existe algo que pode ser vitorioso. É com o tempo que se descobre o que é derrota e o que é vitória. (...) Faz parte da vida não fazer tudo o que você quer.”

Marina disse que vai retornar ao Senado disposta a lutar pelas questões ambientais, a exemplo da postura que manteve no ministério.

“Encerramos um ciclo de continuar por continuar, temos que fazer com que as coisas avancem e que o Minc tenha boa sorte. Da tribuna do Senado, vou estar ajudando. O ministro, pela biografia que tem, será capaz de mantê-lo (o ministério) vivo e fazê-lo crescer.”