Quem conquista a longevidade geralmente paga um preço por ela. Estima-se que 30% das pessoas acima dos 75 anos de idade sofram quedas ao menos uma vez por ano no Brasil. Em Bauru, o número de idosos atendidos no departamento de ortopedia do Hospital de Base (HB) subiu 16,5% entre janeiro e abril deste ano em comparação ao mesmo período de 2007.
O percentual é preocupante porque após levar um tombo, eles ficam mais suscetíveis a contrair outras doenças como pneumonia, infecção hospitalar e depressão, por exemplo. Em muitos casos, chegam ao óbito em decorrência das complicações do quadro de saúde. Dentre elas, o ortopedista Marcelo Torquato ainda cita trombose e infecção respiratória.
“A morte normalmente ocorre no primeiro ano após a queda”, reitera o médico. Em 2007 foram registrados 127 atendimentos de idosos vítimas de queda; neste ano, 148. De acordo com o médico, geralmente as complicações resultam de um restabelecimento moroso, como é o caso da fratura de fêmur. As mais comuns são justamente a de quadril, punho e coluna vertebral. Em grande parte dos casos é resultado da osteoporose.
“É uma doença silenciosa. O osso vai perdendo a resistência”, informa o ortopedista. Por conta da situação, a fratura não precisa ser necessariamente resultado de um trauma, que pode acometer qualquer um. O idoso, no entanto, está mais sujeito a quebrar um osso nestas circunstâncias. Em alguns casos a situação é favorecida por eles próprios.
“Muitas vezes o idoso tem pressão alta, diabetes e toma medicamento de forma inadequada, por conta própria. Isso pode alterar a patologia, causar tontura, desmaio e queda”, diz Torquato. De acordo com ele, além de tomar remédio sob orientação médica e respeitar horários indicados, os idosos também devem reforçar os cuidados dentro de casa.
Por mais aconchegante que seja a residência, ela esconde vários obstáculos. “Não pode ter tapete, chão encerado e móveis pontiagudos. O ideal é que a casa tenha barras para segurar no box e próximo ao assento do banheiro”, conclui o médico.
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Fatalidade
Num acidente doméstico, Valda Correia Crepaldi, 82 anos, trincou o fêmur há uma semana. Ao puxar, a maçaneta de uma porta, a peça saiu na mão dela, que caiu no chão da própria casa. “Foi uma fatalidade porque eu tomo muito cuidado. Tapete não tenho mais”, explica, enquanto aguarda alta após a cirurgia a que foi submetida.
Valda conta que sofre de osteoporose e só conseguia caminhar graças às sessões de acupuntura.
“É a primeira fratura, doeu muito, mas fui atendida depressa”, informa. Por sorte, no momento do acidente, uma neta estava em casa, assim como Jonny, seu cachorro de estimação. “Ele compreende tudo o que eu falo, é muito simpático. Deve estar muito triste. Eu nunca tropecei nele”, finaliza.