Após adiar três vezes a reforma do piso da avenida Rodrigues Alves na área central e incluí-la entre as prioridades para 2008, o prefeito Tuga Angerami encerrará sua gestão sem executar a obra. Ao justificar a quebra da promessa feita em fevereiro do ano passado, ele aponta o compromisso também assumido de não deixar dívidas para a próxima administração, além daquelas já herdadas de governos anteriores que, inclusive, estão sendo renegociadas.
Até o final do ano, quando deixará o cargo, apenas o serviço de tapa-buracos será executado na avenida, uma das artérias principais da cidade. A indisponibilidade de recursos alegada forçará os munícipes a se arriscarem entre as ondulações, recortes e degraus que a Rodrigues apresenta, como se fossem pegadinhas. Os sarcásticos não escondem o riso ao observarem os pedestres atravessando a via em pontos como no cruzamento com a rua Rio Branco.
Os tropeços são freqüentes na elevação da pista sentido Centro-Vila Falcão, onde a situação é ainda pior que a do lado oposto. Segundo o mototáxi Valdomiro José Santana, pelo menos uma vez ao dia um idoso vai ao solo naquele ponto. “Já vi gente cair em frente aos carros. Outra vez, um veículo quase passou por cima”, conta de forma séria e indignada com a situação das vítimas.
Entre elas estão também os motoristas. Neste mesmo local e em trechos como as quadras 9 e 10, no mesmo sentido, facilmente o motor do automóvel bate nas ondulações. Já para motociclistas e ciclistas, transitar pela avenida poderia capacitá-los a participar do famoso rali Paris-Dakar. Vencem todos os que conseguem equilibrar-se sobre as duas rodas. Em algumas quadras, a 6 é um exemplo, as ondas do asfalto chegam a invadir a calçada.
Já nos trechos onde foram instaladas placas de concreto, caso da quadra 5, elas estão em desnível. São escassas as quadras em que é possível trafegar pela via sem tantas trepidações. Na 3, 4, e 5, além da 7 até a 11, sentido Centro – Jardim Redentor, os problemas são bem menores, embora também existentes.
Para que os transtornos fossem resolvidos definitivamente, a idéia de Tuga Angerami era contratar por licitação uma empresa que fizesse um estudo das condições do piso e as alternativas para implementar uma solução duradoura. Numa segunda etapa, uma outra empresa seria contratada, também via processo licitatório, para executar a obra.
No entanto, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, no momento, não há previsão para abertura de processos licitatórios, pois não há disponibilidade de dinheiro para a execução do serviço.