Um ano depois da fixação de R$ 1,75 para o passe comum e R$ 2,15 para a passagem integrada, o sistema de transporte coletivo urbano em Bauru volta a discutir a incidência de aumentos no valor do óleo diesel e demais insumos e os reflexos do dissídio trabalhista em negociação com motoristas e cobradores.
Sem chegar a um acordo após três rodadas de negociação, Sindicato dos Condutores (Sindtran) e a associação da concessionárias locais (Transurb) têm contas diferentes para os efeitos dos custos sobre o valor da passagem que tem de ser paga para remunerar pelo serviço de transporte coletivo urbano.
Na última assembléia submetida à categoria, onde a proposta da Transurb foi rejeitada, o Sindtran defendeu que a atual composição dos custos absorve a pauta mínima de reivindicações financeiras por elevação dos salários e ainda gera uma “folga” de R$ 0,5 sobre um patamar de R$ 1,90. “Para o sindicato não há razão para a elevação da tarifa mesmo com a concessão das reivindicações e do cálculo do impacto do aumento do óleo diesel”, comenta o assistente da diretoria do Sindtran, Nélio de Souza.
Mas as concessionárias discordam. Conforme os cálculos das empresas, a simples aplicação do aumento do diesel e o pagamento dos benefícios salariais seriam suficientes para pressionar o valor final a ser cobrado dos usuários do sistema acima dos cálculos sindicais. “Incluir 9,87% de aumento no diesel já significa R$ 0,5 a mais na tarifa. A pauta completa do sindicato, com cobradores, exigiria cobrar R$ 2,33 da população, o que é impraticável. Sem cobrador e com reposição de 8,65% e aumento real de 15%, como foi colocado na pauta inicial, dá um custo de R$ 2,12 na tarifa comum, também muito elevado para o usuário”, menciona José Edson Alves, pelas concessionárias.
O sindicato não concorda com esta conta. “A proposta apresentada tem 5,9% de reposição pelo INPC, tíquete de R$ 150,00 e mesmo com incidência dos 9,87% no preço do diesel e mais 5% de aumento real, que não foi aceito, gera custo final da tarifa em R$ 1,85, ainda assim R$ 0,5 acima do que as empresas disseram na mesa de negociação que é o valor já negociado para a tarifa com a prefeitura.
Estes e outros indicadores continuam na mesa de negociação para a composição do custo final a ser discutido, depois, junto à prefeitura. As concessionárias também ressaltam que o número de passageiros transportados caiu em 500 mil usuários/mês nos últimos seis anos, saindo de 2,944 milhões/mês em 2001 para 2,4 milhões no início deste ano. “Isso representa uma perda de 18% no número de passageiros do sistema, o que também reflete sobre tarifa. Queremos repor o poder de compra dos funcionários, mas em um patamar que não afugente o usuário. Não tem negociação antecipada de tarifa. Os R$ 1,90 foram mencionados como advertência, que a concessionária não é irresponsável de negociar algo além do limite do sacrifício do usuário”, completa Alves.