09 de julho de 2026
Internacional

Obama diz que Bush promove medo

Por Daniel Bergamasco | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - O pré-candidato presidencial democrata Barack Obama evocou ontem o conceito de “tática do medo’’ - da qual George W. Bush lançou mão para se reeleger em 2004, segundo críticos - ao responder a ataques velados pelo presidente dos EUA durante visita a Israel.

“Eles [republicanos] não estão dizendo a verdade a vocês. Eles estão tentando enganá-los e assustá-los porque sabem que não conseguem vencer um debate sobre política externa por mérito próprio’’, disse Obama, diante de 2 mil eleitores em Dakota do Sul, Estado que abriga uma das cinco prévias partidárias restantes. “Mas isso não vai funcionar. Não neste ano.’’

Obama se refere à idéia de que Bush tenha manipulado o medo da população em relação a um novo ataque terrorista para que ela temesse eleger um governo democrata em 2004 e mantivesse seu apoio à Guerra do Iraque. Para o senador, Bush e o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, agem com “desonestidade’’, “hipocrisia’’ e “promovem o medo’’.

O discurso de Obama é sua segunda reação a um pronunciamento de Bush, ontem, no qual o presidente afirmou que “há quem pareça pensar que deveríamos negociar com terroristas e radicais, como se algum argumento fosse capaz de persuadi-los’’ - a primeira foi um comunicado por escrito no próprio dia. O presidente, que falava em razão do 60º aniversário de Israel, usou a deixa para equiparar o fato a “tentar conciliar-se com nazistas’’.

Apesar de a Casa Branca negar a alusão a Obama, a afirmação foi entendida como crítica evidente ao candidato, que já defendeu publicamente o diálogo com o Irã e a Síria e o envolvimento de grupos que Washington considera terroristas, como Hamas e Hizbollah.

Obama X McCain

O contra-ataque de Obama foi também dirigido a McCain. O candidato republicano havia reforçado o discurso de Bush dizendo que o rival “mostra ingenuidade, inexperiência e falta de julgamento ao dizer que quer se sentar à mesa de um indivíduo que comanda um país [Irã] que diz que Israel é um cadáver fedorento, que se dedica a extinção do Estado de Israel’’.

Obama devolveu a farpa, citando “crença ingênua e irresponsável de que a fala dura de Washingon irá de alguma maneira fazer com que o Irã desista de seu programa nuclear e do apoio ao terrorismo’’.

O democrata tocou ainda em um dos temas mais debatidos desde o início da corrida presidencial, a percepção do povo americano de que o resto do mundo rejeita os EUA devido a sua política externa. “É exatamente o tipo de ataque apelativo que tem divido nosso país e nos afastado do mundo.’’

Em sua fala, Obama ria ao citar os comentários de McCain e de Bush. Ao final do discurso, o candidato disse que não foge dessa discussão. “Se eles querem um debate sobre proteger os Estados Unidos da América, esse é um debate que estou pronto para ganhar.’’

Analistas acreditam, no entanto, que o debate sobre segurança fortalece McCain, herói da guerra do Vietnã.

Além disso, os democratas têm telhado de vidro por terem votado a favor de que tropas americanas invadissem o Iraque em 2003, algo que mais tarde disseram ter sido um erro do governo Bush. Obama foi exceção no grupo - diferentemente da rival no partido, Hillary Clinton.