09 de julho de 2026
Geral

Cavalos ‘laçam’ pais e filhos no Recinto

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O profissional da área de fotolito Cássio Ceschin não cavalgava há muitos anos, mas bastou Camilla Ceschin, aos 4 anos, pedir para “andar a cavalo”, sem nunca antes ter convivido com o animal, para que o pedido se transformasse em paixão, esporte e interação entre pai e filha. A advogada Ana Cristina Bortolotto Soares enfrentou o receio de ver as rédeas nas mãos da filha em busca de alternativa aos modismos urbanos e já vê, há apenas dois meses, a evolução de Sofia Soares Pinheiro, aos 5 anos, fora do mundo dos games.

Essas são apenas duas de inúmeras histórias que estavam "escondidas", ontem, em poeira, velocidade, botas, chapéus, bonés, arreios e quatro patas na prova mirim de tambor no Recinto Mello Moraes. A constatação de que o esporte com cavalos "laçou" inúmeras famílias, em uma busca fora do mundo eletrônico para pais e filhos, estava exposta em nada menos que 30 pequenos aprendizes de cavaleiros e amazonas, perfilados para premiação na arena do recinto após a prova.

E se o animal, paradoxalmente para os leigos no ramo, é o elo para a aproximação familiar, enquanto os pequenos esperavam pela premiação, pais, tios, primos, amigos, tias e avôs não escondiam sorrisos largos na platéia coruja.

Instrutor de Camilla, Cássio, o pai, confessa que teve medo que a velocidade e a musculatura esguia de um paint horse fossem adversários para o desejo da pequena em cavalgar. “Fiquei com medo, o cavalo é forte, muito rápido. Na saída para o primeiro tambor eu achei que ela pudesse não segurar a tempo de fazer o tambor. Mas como nas primeiras aulas, depois peguei confiança, como a Camilla, e agora tenho muito prazer em participar”, conta Ceschin.

Bastou Camilla superar, e bem, a primeira baliza, para o pai dar vazão ao papel de treinador. “Reio, reio, vai, vai”, gritou, em incentivo. O maior presente, porém, não veio da premiação da filha na prova, mas do efeito que a prática do esporte com cavalos trouxe para ambos. “Já cavalguei no passado, mas estava há 19 anos sem praticar. Mas há um ano minha filha pediu, do nada, para andar a cavalo. Eu não só atendi seu pedido, como voltei a cavalgar, me entusiasmei e agora treino ela e pratico também. Comprei um cavalo só pra isso”, conta.

A trajetória dos Ceschin seria igual a de outros tantos que competiram no domingo, no Recinto Mello Moraes, não fosse o fato deles, a exemplo da família Soares, estarem unidos - por e com seus filhos - mesmo sem ter uma fazenda, um haras.

A advogada Ana Cristina Bortolotto Soares encontrou no cavalo a fórmula para distanciar Sofia, de 5 anos, do mundo dos games e shoppings centers. “Minha opção foi para que a interação com o animal funcionasse como estímulo para que minha filha crescesse longe do shopping e do computador. Busquei uma outra visão de futuro para ela experimentar, um horizonte distante do mundo eletrônico”, profetiza a mãe.

E funcionou. Segundo ela, superada a apreensão natural do início, pelo porte e força dos cavalos, a resposta tem sido surpreendente. “Comecei com equitação, mas a Sofia não se adaptou. Fiquei apreensiva com as aulas iniciais e ainda dá um pouco de medo a força que o animal tem com uma criança sobre ele. Mas os resultados são tão bons, em disciplina, humor, satisfação, que valeu muito a pena, por mim e por ela”, confessa Ana Cristina.

Uma das instrutoras, Natalie Jonghe, confirma a evolução na relação entre pais e filhos e, é claro, maior proximidade entre animal, família, esporte, fraternidade, compromisso e relações humanas com mais cumplicidade. “As crianças perdem logo o medo e depois de um ano já têm muito domínio sobre o animal. Além disso, é natural o progresso em disciplina, afeto, equilíbrio emocional, atenção e comportamento, fora e dentro de casa”, avalia.

Ao final do evento mirim, lá estavam todos perfilados esperando o brinde. A premiação é simbólica, corretamente pensada pelos organizadores, e, assim, não distingue a colocação no torneio: um incentivo à família e à socialização.

E em se tratando de um domingo em família, não cabe nem apontar os primeiros colocados na prova: melhor destacar o torneio como prêmio às 30 famílias que participaram, ontem.