09 de julho de 2026
Regional

Dise de Jaú desmonta esquema que financia o tráfico de drogas

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - Uma investigação iniciada em novembro do ano passado desmontou um esquema de financiamento e tráfico de entorpecentes, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico em Jaú (47 quilômetros de Bauru). Várias pessoas foram presas nos últimos dias na Operação Litoral. Policiais civis da Delegacia de Investigações Sobre Entopecentes (Dise) de Jaú prenderam, na última sexta-feira, Luiz Carlos Peterline, conhecido como Lula, no município de Praia Grande, no Litoral Paulista.

Para a polícia, Peterline comanda o tráfico em Jaú e na microrregião. Segundo apurou as investigações da delegacia especializada, Peterline é foragido do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) “Dr Rubens Aleixo Sendin”, de Mongaguá, de onde comandava o esquema de abastecimento de traficantes que repassavam a droga para os microtraficantes, que atuam no varejo em Jaú.

Para o delegado da Dise, Euclides Francisco Salviato Júnior, Peterline “é um dos maiores traficantes de drogas de Jaú e região, com ligação inclusive com o crime organizado (Primeiro Comanda da Capital)”. Segundo Salviato Júnior, a apuração indica que Ludervan César Lopes, além de cunhado de Peterline, era o braço direito dele em Jaú. Do Litoral, Peterline comandaria o crime em Jaú com o casal Lopes e Denise Roberta da Silva Campos. No esquema criminoso ainda figura a esposa de Peterline, Carina Eloísa da Silva Campos, irmã de Denise. Peterline ainda tinha a colaboração da amante dele Valéria Tamboorin da Silva, que segundo a Dise, residia no município de Sorocaba. Peterline era proprietário da empresa KLG - Pré-frezados, onde trabalhava Leandro Aparecido dos Santos Camargo, conhecido como Oreia, integrante do grupo criminoso. “Essa empresa mexia com solados de calçados. Era de fechada e estava no nome da Carina”, destaca Salviato Júnior. A empresa de fachada era administrada pelo casal Denise e Lopes.

A polícia começou a montar o quebra-cabeça com a prisão da dupla Odair Paneli e Ednéia Cristina Milani, presos com dois quilos de crack e acusados de tráfico, em novembro último. Após, as investigações levaram à prisão de Anderson Rafael da Silva, 22 anos, preso com cerca de nove quilos de crack, escondido na residência de da namorada dele Ednéia. “Conseguimos identificar que ele (Peterline) mandava droga de lá (litoral) para Jaú. A gente avaliou que em três ou quatro apreensões, ele teve um prejuízo de pelo menos R$ 80 mil. Mas vinha muito mais droga”, ressalta.

Além dessas apreensões, outras foram minando o esquema de financiamento feito por Peterline, segundo apurou a Dise de Jaú. O delegado conta que, ao fugir do CPP em Mongaguá e se refugir em Praia Grande, Peterline é levado por Valéria ao Mato Grosso e ao Paraguaia onde negociou a compra de droga para abastecer Jaú e a microrregião. De acordo com Salviato Júnior, o traficante montou a fábrica KLG com dinheiro do tráfico. “São máquinas que ele adquiriu quando estava preso. A movimentação de droga dele vinha sendo há muito tempo”, explica.

O delegado explica que o casal Denise e Lopes e Camargo mexiam com a droga. “Vendiam , faziam cobrança de dívida de droga e recebiam dinheiro. E estavam sempre cumprindo as ordens dele. Ele mandava fazer contatos com traficante”, detalha o delegado o que foi apurado no trabalho de inteligência da polícia.

As máquinas

Salviato Júnior esclarece que, para cobrir os prejuízos com as ampreensões, Peterline mandou suspender a atividade da fábrica e vender o maquinário para fazer dinheiro (capital para adquirir a droga). Acompanhando essa movimentação, a Dise de Jaú pediu o sequestro do maquinário e de um veículo GM Astra propriedade dele. A polícia projeta que as máquinas valem cerca de R$ 200 mil. Elas foram apreendidas em uma barracão na última quarta-feira, dois dias antes da prisão de Peterline e Valéria. O casal, segundo Salviato Júnior, residia em uma apartamento de luxo em Praia Grande. “A hora que a gente tinha bastante elementos e aí ele iria fazer dinheiro com as máquinas a gente conseguiu que isso continuasse e desencadeou as prisões”, finaliza Salviato Júnior.

Assim que Peterline foi preso, outras equipes da polícia civil de Jaú cumpriram os mandados, que culminaram com as prisões das irmãs Carina e Denise e Lopes. Ontem foi preso Camargo. Todos estão sendo acusados pelos crimes de associação para o trafico, trafico de drogas, financiamento do tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, penas que variam entre cinco e 20 anos de reclusão. As mulheres foram encaminhadas para a Cadeia Pública de Dois Córregos e os homens para a

Cadeia Pública de Barra Bonita em cumprimento, inicialmente de mandado de prisão temporária de 30 dias.