São Paulo - O PTB anunciou ontem apoio ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições municipais de outubro. Pelo acordo, o PTB indicará o vice de Alckmin, que deve ser o deputado estadual Campos Machado, presidente da sigla no Estado.
A oficialização da aliança na sede estadual do PTB foi anunciada com uma provocação aos partidos que se coligaram ao DEM, do prefeito paulistano Gilberto Kassab. “Uma coligação não se faz apenas para conseguir um tempo na televisão. O PTB sempre esteve conosco e foi defensor dos programas do PSDB”, disse José Henrique Reis Lobo, presidente municipal do PSDB.
O vice ainda não foi escolhido, mas Lobo sinalizou em seu discurso a opção por Campos Machado. “São Paulo vai estar bem servida com a eleição de Geraldo Alckmin e Campos Machado”, disse. “Acho que ele e Geraldo Alckmin formam uma bela dupla.”
Oficialmente, no entanto, o nome não foi definido. “A palavra final será dada por nosso presidente Campos Machado”, disse o senador Romeu Tuma (PTB), um dos nomes para ocupar o cargo.
Outra indefinição é quanto ao tipo de candidatura. O PTB não abre mão da proporcional, que encontra resistência entre os pré-candidatos a vereador pelo PSDB. “Por enquanto a coligação é majoritária, mas a proporcional ainda está em discussão”, afirmou o pré-candidato.
Apoio de Serra
Alckmin afirmou ontem que está aumentando o apoio ao seu nome dentro do PSDB para concorrer à Prefeitura e que o governador do Estado, José Serra (PSDB), participará da campanha. Enquanto a executiva da sigla apóia o ex-governador, 11 dos 12 vereadores do partido na Câmara preferem a reeleição de Gilberto Kassab (DEM).
O pré-candidato tucano disse que a resistência ao seu nome está diminuindo. “A campanha começa no dia 6 de junho. Estamos aqui com as Executivas estadual e municipal”, disse na sede do PTB, que anunciou ontem seu apoio à pré-candidatura de Ackmin.
Ele afirmou que o governador do Estado, José Serra (PSDB), participará da campanha. “Serra estará na campanha. Em nossa última viagem, conversamos sobre ela”, disse. Serra é um dos caciques do partido que trabalham nos bastidores pela reeleição de Kassab - seu vice quando ele foi prefeito entre 2005 e 2006.
O presidente municipal do PTB, Campos Machado, afirmou que o governador “não se opôs em momento algum” à aliança do partido com Alckmin. “Sou muito próximo ao Serra, e ele nunca mostrou hostilidade e contrariedade sobre esta aliança”, disse.
Alckmin afirmou que essa discussão no partido fortaleceu o PSDB porque a militância participou dos debates e pediu seu nome.
O presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, disse que o discurso será apenas um depois da convenção, marcada para o dia 22 de junho. “Uma vez tomada a decisão, o partido escuta”, disse.
Lobo afirmou que a última pesquisa Datafolha - que mostra o ex-governador empatado tecnicamente com ministra Marta Suplicy (PT) - servirá para unificar os discursos no partido e que o momento é de “respeito à hierarquia e disciplina partidária”.
Os vereadores e os pré-candidatos a vereador pelo PSDB também são contrários à coligação proporcional com o PTB porque isso pode reduzir o número de vereadores do partido na Câmara, hoje com 12 nomes. Sobre essa oposição, Machado disse que ela não vai durar muito. “Essa resistência deve ceder ao bom senso”, disse.
Alckmin afirmou que suas “convicções” o ajudam a lidar com a resistência de setores do PSDB ao seu nome.
“(Lido com isso) com minhas convicções e princípios. Eu sou um dos fundadores do PSDB”, concluiu.