O servidor público Ed Carlos Ismera Queiroz, 32 anos, quase foi linchado ontem por cerca de 50 pessoas, no Distrito Industrial 1. No horário do almoço, ele teria sido flagrado dentro de um carro, que teve o som furtado. Foi preso pelo delito, após ter os pés amarrados numa árvore e ser agredido por populares. “Se a polícia não chegasse, teria morrido”, diz.
Ele garante não ser responsável pela tentativa de furto. Afirma que estava no local errado, na hora errada. “A população quer fazer justiça com as próprias mãos. Querem pegar o primeiro que aparecer. Se for preto, melhor. Sou trabalhador”, informa. Antes de ser levado ao Plantão Policial, passou pelo Pronto-Socorro, assim como um pedreiro de 50 anos que também quase foi linchado anteontem, no Núcleo Nobuji Nagasawa, o Bauru 2000.
Conforme o JC divulgou, ele foi apontado como o autor do estupro a uma adolescente ocorrido no início da noite da última sexta-feira. Quando a Polícia Militar (PM) chegou ao bairro, nenhuma pessoa foi flagrada o agredindo. Ele foi reconhecido pela vítima, mas negou que tenha estuprado a adolescente. Também nega participação no crime o pai e a madrasta de Isabella Nardoni.
A menina de 5 anos passava o fim de semana com eles, quando foi asfixiada e jogada do sexto andar do prédio em que o casal mora, na zona norte de São Paulo. Em meio à revolta popular, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram indiciados por homicídio qualificado - por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Estão presos.