09 de julho de 2026
Polícia

‘Até bandido tem de ter direito preservado', diz comando da PM

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

“O direito das pessoas tem que ser preservado, mesmo do bandido. A gente protege o máximo a vítima de linchamento. Monta aparato. Todo mundo é inocente até que se prove o contrário. As pessoas fazem o julgamento conforme a versão que vêem. Às vezes, não conhecem os dois lados da moeda e formam uma opinião”, diz tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).

De acordo com ele, de longe, qualquer avaliação deve ser evitada, como no caso do casal Nardoni. “É comum as pessoas formarem opinião logo com as primeiras informações. É natural das pessoas. Não quer dizer que nesse caso de estupro a pessoa esteja pré-julgando, não. Nesse caso, a moça reconheceu. Mas todos têm direito a um julgamento numa corte oficial”, acrescenta.

O coronel é da opinião de que se não houver um processo que preveja apuração, verificação de laudos e perícia, por exemplo, as chances de se incorrer em erro são grandes, assim como a de se cometer injustiças. Tanto Nardo quanto o delegado seccional Doniseti José Pinezi ressaltam que alguns crimes, como é o caso no estupro, não são aceitos nem entre os detentos do sistema penitenciário.

Para Pinezi, as tentativas de linchamento registradas em Bauru são isoladas e não refletem a sociedade. “Só o plantão registra 45, 50 ocorrências por dia. Não acredito que o Estado esteja frágil ou desacreditado. Nós estamos trabalhando. Não tem nem onde colocar preso de tanta gente que estamos prendendo”, conclui o delegado.