10 de julho de 2026
Internacional

Ataques a estrangeiros na África do Sul podem atingir economia

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Johannesburgo - Agressões a trabalhadores estrangeiros continuavam a ocorrer ontem de modo esparso na África do Sul, mas o forte policiamento impediu que os conflitos voltassem a se espalhar, sobretudo em Johannesburgo, a maior cidade do país.

A polícia chegou a disparar balas de borracha contra uma multidão de 700 moradores de uma favela que tentava expulsar estrangeiros de seus barracos. Informações não confirmadas da mídia local dão conta de duas mortes durante a madrugada, o que elevaria a 26 o número de imigrantes vitimados pela violência xenofóbica.

O diretor da Cruz Vermelha Sul-Africana, David Stephens, calcula que até 13 mil estrangeiros estejam refugiados em igrejas, delegacias de polícia ou prédios públicos. Anteontem, eles eram estimados em 5 mil.

Um mutirão de entidades assistenciais tem entregado nesses locais mantimentos, cobertores e produtos de higiene.

A onda de violência, iniciada no último dia 11 contra imigrantes provenientes do Zimbábue, do Maláui e de Moçambique, tomou essa parcela da população como bode expiatório em razão do alto desemprego (que atinge até 40% da população), da falta de moradias e do aumento da inflação.

Os investidores externos estão repatriando capitais. A moeda local, o rand, se desvalorizou em 1,7%. “A violência xenofóbica assusta”, diz David Gracey, do Nedbank. O Ministério do Turismo também teme os efeitos da violência. No ano passado, o país foi visitado por 8,4 milhões de estrangeiros. O turismo representa 8% de toda a economia sul-africana.

O presidente da Federação Sul-Africana de Futebol, Raymond Hack, disse que os acontecimentos “são muito tristes para o esporte e para o país”. A África do Sul será a sede da Copa do Mundo de 2010, a primeira a acontecer no continente africano. Dirigentes locais desmentiram os rumores de que a Fifa, a federação internacional, esteja cogitando reprogramar o campeonato para outro país.

O presidente Thabo Mbeki vem sendo criticado pela forma pouco enérgica com que reagiu à crise. Em lugar de adotar medidas econômicas que aliviem as tensões, ele se limitou a criar um grupo de trabalho para estudar as causas da xenofobia. Jacob Zuma, presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido no poder, declarou que “não há lugar para violência xenofóbica na África do Sul”. Os atos praticados contra trabalhadores imigrantes, afirmou, não passam de selvageria e criminalidade.