09 de julho de 2026
Nacional

José Aparecido isenta Dilma e Erenice

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - O ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires disse ontem em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos que enviou “por engano” ao assessor parlamentar André Fernandes o arquivo com o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Fernandes disse que, se tivesse a intenção de encaminhar o arquivo ao assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não teria utilizado o e-mail.

“Minha intenção era apenas de anexar o arquivo ‘hoje’. Se anexei a planilha ‘excel’, não houve dolo, má fé, ou nem isso ocorreu de maneira deliberada. Se anexei, foi por descuido, erro humano. Não admito que enviei o e-mail induzido por qualquer motivação. Se tivesse a intenção de passar esses dados, o faria por CD, disquete ou pen drive”, disse.

O ex-secretário também isentou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou sua secretária-executiva, Erenice Guerra, na operação de montagem do dossiê. “Nunca conversei sobre esse assunto com Erenice Guerra e a ministra Dilma”, enfatizou.

Aparecido negou que, no e-mail enviado para Fernandes com o dossiê, tenha anexado qualquer mensagem com referência ao conteúdo do anexo. “Na mensagem enviada ao André, não há qualquer menção a um possível dossiê para constranger a oposição”, afirmou. No seu depoimento à CPI, também prestado nesta ontem, o assessor parlamentar disse que havia uma mensagem de Aparecido na qual o ex-secretário revela sua intenção de levantar os gastos da gestão FHC.

Assim como Fernandes, Aparecido disse que rompeu a amizade com o assessor parlamentar após o episódio do dossiê. “Conheço o André desde a instalação do governo paralelo. Quando deixou o então governo do Distrito Federal e foi trabalhar para outros partidos como consultor legislativo, passamos a ter posições políticas divergentes. Eu o considerava como amigo até esse episódio que estamos tratando”, afirmou.

Aparecido confirmou que almoçou com Fernandes em março, depois de encaminhar o anexo no e-mail, quando disse ter negado sua intenção de vazar a planilha de gastos. “Em almoço no dia 21 de março, ele me disse que tinha rumores que tinha vazado essa planilha, ocasião em que o contestei veementemente. Eu não repassei informação alguma à imprensa”, enfatizou.

Funcionários

O ex-secretário de controle interno da Casa Civil disse que recebeu do secretário de administração da Casa Civil, Norberto Temóteo, o pedido para ceder dois funcionários da sua área para participarem da montagem do “banco de dados” com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Aparecido negou que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou a secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra, tenham solicitado a montagem do dossiê anti-FHC. Disse que conversou com Dilma somente “três vezes” desde que a ministra assumiu o cargo.

Fernandes culpa Erenice

O assessor parlamentar André Fernandes atribuiu ontem à secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a responsabilidade pela montagem do dossiê. Fernandes disse que ouviu de José Aparecido Nunes Pires o relato de que a ordem para a montagem do dossiê partiu de Erenice.

O relato teria ocorrido, segundo Fernandes, em um almoço com Aparecido no Clube Naval de Brasília dias depois de receber o dossiê do ex-secretário. “Ele (Aparecido) só falava para mim que foi a Erenice que preparou um dossiê. Ele usou um banco de dados seletivo. Aí me contou que no dia 8 de fevereiro foi chamado para fazer isso. Aí começaram a fazer sentido todas as notinhas anteriores ao eu ter recebido o e-mail, publicadas em jornais, sobre a existência do dossiê”, disse.

O assessor tucano disse que somente revelou trechos do dossiê ao senador Álvaro Dias, sem ter combinado com o parlamentar o vazamento das informações à imprensa ou mesmo o encaminhamento das informações ao ex-presidente FHC. “Passei somente para ele, para ninguém mais. Cumpri o meu dever funcional’’, disse.

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Trabalhos recomeçam hoje

Brasília - Depois de quase oito horas de depoimentos dos acusados de vazamento do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na CPI dos Cartões Corporativos, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) suspendeu os trabalhos da comissão devido ao início das votações no plenário do Senado.

O regimento interno da Casa Legislativa impede o funcionamento de comissões paralelamente às votações plenárias. Quatro parlamentares ainda estão inscritos para fazerem perguntas a José Aparecido Nunes. Serrano decidiu retomar os trabalhos a partir das 9h de hoje.