O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), através do Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora (PNDPA) e da Base Avançada de Pesquisas (BAP) de Uberlândia, está monitorando a pesca amadora no reservatório de Itumbiara.
A atividade, iniciada em outubro de 2007, tem por objetivo levantar informações sobre a biologia pesqueira das espécies de peixes e a atividade socioeconômica da pesca amadora no lago de Itumbiara, no município de Tupaciguara (MG).
A metodologia utilizada consiste principalmente na anotação do comprimento de cada indivíduo capturado pelo turista e informações como iscas utilizadas e gastos com a pescaria. A ficha para anotação dos dados e a régua são fornecidas pelo Ibama.
As informações, como a distribuição dos tamanhos e número de peixes que são capturados por barco por dia, permitirão que se façam inferências sobre as populações de peixes do lago e seu atual nível de exploração pela pesca. Estes dados irão subsidiar as medidas de manejo mais adequadas para o desenvolvimento da atividade.
Outro caráter importante é que a anotação desses dados é realizada pelos próprios guias de pesca, sendo depois compilados pelo dono da pousada e enviados ao Ibama. Após sua análise, as informações são repassadas e discutidas com os guias e empresários do turismo de pesca.
Com isso, eles participam ativamente do processo de gestão dos recursos pesqueiros, e conseguem enxergar claramente “como andam” os estoques dos quais eles retiram o seu sustento. Dessa maneira, o projeto alcança um importante objetivo, que é levar a educação ambiental aos usuários dos recursos pesqueiros.
O projeto teve início em outubro de 2007, em escala piloto, com a participação de uma pousada de pesca (Pousada dos Amigos) e de oito guias de pesca. Os dados obtidos até o momento foram apresentados aos guias em reunião no dia 12 de fevereiro de 2008.
Resultados preliminares
Já foram capturados 510 indivíduos nas 45 pescarias realizadas nos meses de outubro e novembro de 2007, sendo 421 tucunarés azuis (Cicla piquiti) e 89 tucunarés amarelos (Cichla monoculus).
Os resultados foram apresentados e discutidos na reunião com os guias de pesca, donos de pousadas, lojas de pesca, fábricas de iscas artificiais e a Prefeitura de Tupaciguara. Preliminarmente, foi estimado o gasto médio do turista por cada peixe capturado, e o valor encontrado foi média de R$ 40,19.
Este monitoramento pretende se estender com o apoio e colaboração de outras pousadas e guias de pesca que utilizam o lago de Itumbiara. Serão coletados também dados sobre a biologia de outras espécies de peixes que também contribuem para a pesca amadora no lago, como traíra, dourado e surubim.
Para esclarecer sobre a importância do projeto, estão sendo confeccionados cartazes e folders específicos divulgando as regras para a pesca amadora a serem distribuídos no comércio e nas pousadas. Para as pessoas que estiverem participando da pesquisa serão entregues coletes com identificação, promovendo a divulgação do projeto.
Com o desenvolvimento deste trabalho pretende-se consolidar o sistema de estatística pesqueira da pesca amadora no lago de Itumbiara; definir ações de manejo pesqueiro adequadas ao desenvolvimento do turismo de pesca na região e promover o pesque e solte, além de aumentar o fluxo de turistas na região. Os resultados do trabalho devem ser publicados ao final de um ano de monitoramento.
*Com informações do Ministério do Meio Ambiente.