09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: A força da natureza


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Lá pros anos 50, 60, mais ou menos, tinha em Bauru uma turma bem animada pra pescar e caçar. A turma era formada por membros das mais diversas áreas de atividade, porém, na pescaria, cada um era especialista numa única tarefa: um era bom cozinheiro, outro era bom arrumador do rancho improvisado, um outro era bom atirador, outro era bom na pescaria de determinada espécie de peixe, e por aí afora, cada um fazia a sua parte.

Chegaram a comprar até um caminhãozinho de carroceria para poder transportar a turma e a traia duas ou três vezes por ano até a barranca do rio Antinha, que naquela época era cercado por densa floresta, com árvores centenárias, algumas com mais de 30 metros de altura, como; angico, peroba, ipê, jatobá, etc.

Na traia dessa turma sempre ia um encerado de lona bem grande e, quando chegavam na beira do rio, amarravam um arame bem grosso numa árvore e a outra ponta amarravam na carroceria do caminhão, esticavam o máximo e colocavam o encerado no arame, formando assim uma tenda.

Nas beiradas do encerado de ambos os lados eles faziam uma valetinha com uma enxada, jogando a terra sobre as sobras da lona que estavam em contato com o solo e ali armavam todo restante da traia: fogão, camas, cadeiras, etc. Colocavam um ou dois lampiões dependurados na cumieira e umas boas fogueiras bem nas portas da barraca e ali passavam quatro, cinco dias pescando, caçando, tomando umas e outras, jogando truco e contando causos.

Um belo dia saíram para mais uma aventura e o tempo estava um tanto nervoso, com nuvens escuras, relâmpagos e trovões, mas foram assim mesmo. Chegando lá, armaram toda aquela parafernália e não puderam nem sair da barraca porque desceu um temporal que dava muito medo; muita chuva, muitos raios e trovões que sacudiam aquela floresta inteirinha.

Eram só galhos quebrando, árvores caindo, bugios gritando e foi uma loucura quase a noite toda, todos querendo que aquela noite terminasse o mais rápido possível, pois a coisa não estava boa não. Quando amanheceu, todos saíram pra ver os estragos e o cenário era realmente assustador, mas, de repente alguém gritou. “- Pessoal, olhem na copa daquela árvore grande ali adiante”.

E todos viram com admiração uma bola reluzente entre as folhas, mas não dava pra distinguir o que poderia ser. Então aquele que era bom na espingarda falou. “- Deixa comigo que eu vou meter bala naquele treco”. Mirou pra aquela bola e puxou o dedo. Seu moço, aquilo deu um estrondo e subiu um clarão pro céu que o pessoal quase ficou surdo e cego, e mais uma vez foi aquele barulhão danado, galhos quebrando, folhas caindo, bugios gritando, turma correndo, quebrando taboca no peito.

Aí nessa hora chegou ali um caboclinho que morava na beira do rio, enrolando um cigarro de palha, com uma lasquinha de madeira entre os dentes e falou com aquela simplicidade que só ele possuía. “- Num carece assustá não, pessoar, aquilo era só um raio qui faiô onti di noite e ficô inroscado no gaio da arvi.”

Essa história me foi contada por um grande amigo, o Alcir, e se for mentira vocês atribuam a ele.

Ivo de Jesus Ribeiro é pescador e contador de histórias.