Após três dias mantidos como reféns, Arnor Gomes de Oliveira, chefe de serviço administrativo da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru; Edenilson Sebastião, chefe de posto indígena Kopenoty; e Mário de Camilo, chefe de serviço de meio ambiente e patrimônio indígena, foram liberados pelos índios da Reserva Indígena de Araribá, em Avaí, no início da noite de ontem.
A liberação ocorreu após a entrega de uma carta assinada pelo presidente de Funai, Márcio Meira, ao cacique Anildo Lulu, uma das principais lideranças da aldeia. A carta foi entregue em mãos pelo delegado da Polícia Federal de Bauru Antonio Vaz do Amaral.
No documento, o presidente da Funai se compromete a receber uma comissão formada por 12 lideranças indígenas para uma conversa, já na próxima semana, em Brasília. De acordo com o cacique, o teor da carta agradou aos índios. Por isso, eles liberaram os reféns.
Por telefone, Mário de Camilo conversou com a reportagem do Jornal da Cidade momentos após ser liberado. Ele disse que todos estavam bem, porém muito cansados e abatidos em razão do desgaste emocional provocado pelos três dias de cárcere. Inicialmente, eles tinham a pretensão de realizar exames de corpo de delito ainda na noite de ontem. Porém, o cansaço foi mais forte e decidiram adiar o exame para a tarde de hoje. No entanto, Camilo adiantou à reportagem que, em momento algum, eles foram agredidos fisicamente.
Um quarto refém, Ranulfo de Camilo, chefe de posto indígena Icatu e irmão de Mário, foi liberado anteontem após se sentir mal devido a uma febre.
O protesto indígena começou na manhã de terça-feira, quando cerca de 200 índios bloquearam por aproximadamente três horas e meia a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Duartina, na altura do quilômetro 380, próximo à reserva. Ninguém passava sem autorização dos indígenas.
O grupo, formado por quatro etnias (guarani, terena, kaygangi e krenak), reivindica a manutenção do escritório da Funai em Bauru. Eles pedem também a nomeação de um índio para administrar o escritório. O cargo está vago desde novembro de 2007. A intenção da Funai é transferir a administração regional para Itanhaém, no litoral Sul de São Paulo, e transformar a sede de Bauru em Núcleo de Apoio, conforme informou o JC na edição de ontem.
O escritório da Funai em Bauru atende cerca de 2 mil índios não só do Centro-Oeste paulista, mas de todo o Estado de São Paulo e também do litoral sul do Rio de Janeiro. São cerca de 25 funcionários trabalhando no local. A comissão indígena que seguirá para Brasília na próxima semana será composta por lideranças de aldeias de Avaí, Braúna, Tupã, Itaporanga e Barão de Antonina, entre outras cidades.