11 de julho de 2026
Bairros

Doação de órgãos esbarra na falta de comunicação da intenção à família

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O índice de doações de órgãos no País só não é maior em virtude de uma dificuldade caseira. O problema esbarra na falta de comunicação da família, que quando a pessoa morre não autoriza o procedimento porque deixou de manifestar o desejo em vida.

Mas quando acontece o inverso, parentes tomam a decisão de forma tranqüila e são atendidos em 100% dos casos na região, informa a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO), da Central Regional de Captação de Botucatu, Amélia Trindade. “A idéia é discutir bastante antes. Quem é doador, que manifeste isso para a família”, orienta.

De acordo com ela, a maioria das mortes poderia resultar na doação de córneas, cujo procedimento é mais comum. “Na nossa região, a gente tem uma média de 60 óbitos ao mês, mas chegamos a ter, no máximo, 40 doações por mês”, acrescenta Trindade, ao referir-se à região compreendida pelo quadrilátero formado pelas cidades de Avaré, Bauru, Botucatu e Jaú.

“Quando a pessoa não fala, num momento de muita dor, que é a morte, a família não quer que mexa no corpo”, reitera a coordenadora da OPO. Enquanto isso, cerca de 70 mil pessoas no Brasil e aproximadamente 16 mil no Estado de São Paulo, aguardam a chance de serem transplantadas.

“É uma fila nacional e, ao mesmo tempo, estadualizada. Se eu tenho uma doação de órgão, pela rapidez com que tem que ser feito esse transplante, primeiro se distribui no Estado de São Paulo. Só se não tiver ninguém compatível é que vai para o Brasil”, explica Trindade. Constam nesta lista cerca de metade dos 270 membros da Associação Bauruense de Apoio e Assistência aos Renais Crônicos (Abrec).

“O trabalho de conscientização é muito árduo porque infelizmente a família acha que ainda não morreu, que vai ficar defeituoso. Não é nada disso. Precisa ter um trabalho de orientação. A doação de órgãos só vai salvar vidas”, ressalta o presidente da Abrec, Fernando Santos Costa. Ele já foi transplantado e passará pelo procedimento mais uma vez.

Na primeira ocasião, recebeu o rim da irmã, mas o órgão sofreu rejeição. Desta vez, a doadora será a esposa. “Marido e mulher também têm condição de fazer o transplante. Tendo compatibilidade, dá. Acho que o governo precisa se dedicar a fazer mais campanha de doações de órgão, assim como faz com o câncer e diabetes”, acrescenta.