10 de julho de 2026
Regional

PF investiga possível cárcere privado

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Federal de Bauru instaurou inquérito policial para investigar possível caso de cárcere privado praticado por índios da aldeia de Avaí. Arnor Gomes de Oliveira, chefe do serviço administrativo da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru; Edenilson Sebastião, chefe de posto indígena Kopenoty; e Mário de Camilo, chefe de serviço de meio ambiente e patrimônio indígena, ficaram três dias sob o poder de índios da Reserva Indígena de Araribá - eles foram liberados no início da noite de quinta-feira.

A liberação ocorreu após a entrega de uma carta assinada pelo presidente da Funai, Márcio Meira, ao cacique Anildo Lulu, uma das principais lideranças da aldeia. No documento, o presidente da Funai se compromete a receber uma comissão para uma reunião em Brasília.

Segundo o delegado da PF, Antônio Vaz de Oliveira, o inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, porém, o prazo pode ser prorrogado, uma vez que não há presos. O artigo 148 do código penal prevê reclusão de 1 a 3 anos. “No momento oportuno, iremos ouvir as vítimas”, disse Oliveira.

Os três comparecem na seda de PF em Bauru na tarde de ontem para fazer exame de corpo de delito. Durante os dias em que estiveram em poder do indígenas, disseram que não sofreram qualquer tipo de agressão e que foram bem tratados no período. O único inconveniente foi o fato de não poderem tomar banho e trocar de roupa. “Fomos chamados para liberar a estrada, pois eles queriam fechar a Bauru-Marília”, disse Mário de Camilo. “Chegando na aldeia foi até uma surpresa para a gente, pois ficamos reféns”, afirma. O tratamento dispensado foi avaliado como bom. Eles eram vigiados de perto durante 24 horas.

Edenilson Sebastião, que é indígena, disse que a situação enfrentada foi considerada emblemática, pois ficou nas mãos dos próprios parentes. “Temíamos por conflito entre as lideranças indígenas e a polícia, além da tensão de idosos e crianças. Mas não sofremos qualquer problema físico na aldeia”, ressalta. Já Arnor Gomes de Oliveira não quis comentar o assunto.