10 de julho de 2026
Bairros

Catadores são peças-chave na reciclagem

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Dados apontam que as ruas de Bauru abrigam hoje cerca de 400 catadores de materiais recicláveis. São homens e mulheres, em sua maioria desempregados e com pouca instrução, que vêem no “lixo” a chance da sobrevivência digna. Hoje, essas pessoas são responsáveis por dois terços de tudo que Bauru recicla por mês, cerca de 150 toneladas, de acordo com dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

Outro levantamento, desta vez realizado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), junto a 258 catadores em 2006, mostrou que a maior parte deles era homem (cerca de 58%), branco e com idade entre 25 e 60 anos. A maioria, quase 60%, estava sem um trabalho fixo há mais de dois anos e residia na periferia da cidade em bairros carentes, como o Ferradura Mirim e jardins Ivone e Solange.

Essa é a realidade de Zelli Domingues de Lima, 43 anos, que trabalha pelas ruas de Bauru com uma carroça catando todo tipo de material reciclável: papel, plásticos, garrafas pet e alumínio para vender a um ferro velho localizado no Jardim Mary Dota. “A cada 15 dias eu consigo ganhar R$ 150,00 ou R$ 160,00. Tudo depende do que a gente encontra pela rua”, explica Lima.

Com o marido aposentado e morando em um dos locais mais carentes da cidade, a favela do Ferradura Mirim, a catadora conta com ajuda do filho e do sobrinho para recolher os materiais.

Marcos Rogério Pontes Morais, 37 anos, solteiro, recolhe recicláveis pelas ruas de Bauru há mais de oito anos e tem colaboradores fixos. “Tem muita gente que separa o recicláveis, que sabe que eu preciso, para me entregar em mãos”, conta.

Morador do Parque Bauru, ele diz que já trabalhou com carteira assinada em diversas empresas da cidade, mas ficou desempregado e se viu obrigado a garantir uma renda para sobreviver. “Saio nas ruas todos os dias, mas recolho apenas uma viagem. A gente ganha de R$ 5,00 a R$ 20,00 por dia, não dá mais que isso”, afirma Morais.

Outro catador, Ezequiel Gomes, 36 anos, que estudou apenas até a 2.ª série do ensino fundamental, montou umas rota semanal para coleta nos bairros da cidade. “Na segunda-feira visito o Jardim Estoril e Aeroporto, terça vou ao Altos da Cidade, na quarta Higienópolis e Praça do Líbano, na quinta toda área central e na sexta visito o Santa Clara”, conta. Metade de tudo o que ganha é dividido com a mãe, que vive no Ferradura Mirim.

Cooperativa

Não menos importantes, os trabalhadores cooperados da Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cootramat), no Jardim Redentor, também vivem da venda dos resíduos produzidos na cidade. Com 23 cooperados, a Cootramat separa por mês cerca de 70 toneladas de materiais recicláveis e tem retorno financeiro mensal de R$ 16 mil.

Hoje, o que se recicla na cooperativa são vidros e caixinha tetra pak, material ignorado pelos catadores nas ruas pelo baixo valor agregado. Mas diariamente a Cootramat também recebe garrafas pet, papelão, papel, plástico e até isopor.

De acordo com a Semma, que ajuda na administração da cooperativa, a Cootramat vive a expectativa de poder conseguir em breve dobrar a sua capacidade de produção de cooperados. Há poucos dias, foi liberado uma verba para entidade através do Fehidro no valor de R$ 58 mil.

O montante será utilizado para ampliar o barracão de armazenamento e aumentar o número de cooperados. Também já foi pré-aprovada verba do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS) para a construção de uma segunda central de reciclagem no Parque Pousada da Esperança.

Tais notícias enchem de esperanças pessoas como Valmir Moura, 42 anos, que reside no Jardim Nicéia e é cooperado há 12 anos. Ele conta que antes catava materiais recicláveis pelas ruas e que está muito contente na cooperativa.

“Já acostumei a trabalhar aqui. Antes a gente não tinha garantia de ganhar alguma coisa. Agora, trabalhando todo final de mês, recebo alguma coisa, por isso aqui é muito melhor”, conta Mouro, conhecido na cooperativa por trabalhar ao lado de rádio portátil, onde ouve o programa evangélico da igreja que freqüenta

Maurina de Sousa Lima, 48 anos, está na cooperativa há poucos meses, mas comemora o fato de ter encontrado um trabalho fixo. “Aqui a gente tem horário para entrar, almoçar e sair, sem falar nos benefícios da carteira assinada”, comemora.