11 de julho de 2026
Internacional

Bogotá não alterou os arquivos de líder das Farc, garante a Interpol

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Caracas - A Colômbia não adulterou os documentos encontrados nos computadores do líder das Farc Raúl Reyes, segundo perícia da Interpol (polícia internacional) divulgada ontem em Bogotá.

Os documentos expõem fortes vínculos entre a guerrilha colombiana e os governos venezuelano e equatoriano e o informe deve estremecer ainda mais as relações diplomáticas entre os três países, cujos presidentes se encontrarão amanhã, durante a cúpula de Lima.

“A equipe não descobriu indícios de modificação, alteração, adição ou subtração dos arquivos em nenhum dos três computadores portáteis, em nenhuma das três unidades de memória USV e em nenhum dos dois discos externos apreendidos durante uma operação antinarcóticos e antiterrorista em acampamento das Farc em 1 de março de 2008'’, disse o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble.

Noble disse não ter dúvidas de que os computadores pertenciam a Reyes. De acordo com a perícia, o material apreendido no acampamento de Reyes corresponde a 600 gigas e inclui documentos inscritos, imagens e planilhas. Foram empregados 64 funcionários de 16 países, num total de 5 mil horas de trabalho desde 4 de março.

Questionado se, durante o trabalho de análise, foram encontrados documentos vinculando as Farc ao governo e a organizações brasileiros, Noble disse que sim, mas que não mencionaria nomes. A Interpol reúne 186 países, entre os quais a Venezuela e o Equador. Noble disse que havia se colocado à disposição dos dois governos para esclarecimentos, mas que nenhum deles demonstrou interesse.

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Show vergonhoso

Caracas - O presidente Hugo Chávez disse ontem que o relatório da Interpol é um “show’’ e que o secretário-geral da entidade é “um vagabundo internacional’’. Ele anunciou que revisará tanto a filiação da Venezuela à polícia internacional quanto as relações com a Colômbia.

“Uribe desrespeitou os acordos de Santo Domingo’’, disse Chávez, durante entrevista a jornalistas estrangeiros, no Palácio Miraflores. “E esse show vergonhoso é um novo ato de agressão (...). ’’, disse, sobre o segundo parceiro comercial da Venezuela, atrás apenas dos EUA.

Chávez também determinou ao seu ministro do Interior (Justiça), Ramón Rodríguez Chacín, que revise a filiação da Venezuela à Interpol e sugeriu a criação de uma entidade paralela.

A estratégia inicial de Chávez na foi de minimizar o relatório da Interpol. Na fala inicial, discorreu sobre a cúpula de Lima, com início amanhã, e disse que está disposto a dar US$ 1 milhão por dia de sua renda petroleira para um fundo contra a fome.

Chávez só comentou o assunto quando uma jornalista da agência France Presse lhe perguntou se estaria disposto a se reunir com a Interpol para discutir o relatório. Em tom agressivo, o presidente reclamou que estava falando de assuntos sérios e que a pergunta sobre a Interpol se referia a um “show de palhaços’’.

Depois disso, Chávez falou sobre o relatório por mais de 50 minutos, ironizando trechos da entrevista feita em Bogotá e fazendo duras críticas à Interpol e ao governo colombiano, a quem voltou a acusar de estar provocando uma guerra regional.