Em conferência realizada ontem à noite na Universidade do Sagrado Coração (USC), a secretária da Educação do Estado, Maria Helena Guimarães de Castro, afirmou que a conquista da qualidade de ensino ainda é um desafio para o poder público paulista. Entre os argumentos que justificou terem colaborado para a decadência da escola estadual nos últimos anos, ela citou o crescimento acelerado e desordenado da população, a velocidade das transformações tecnológicas e as dificuldades econômicas que impelem os jovens a ingressar no mercado de trabalho e abandonar a escola precocemente.
“A escola que temos hoje é um desafio. Há 20 anos, por exemplo, era impossível avaliar qual seria o impacto das revoluções tecnológicas na produção do conhecimento”, analisa. E prossegue, destacando que, em 2008, o número de jovens matriculados no ensino médio alcançou a marca de 9 milhões de alunos.
“Há uma década atrás, esse número era menos da metade. São acontecimentos que formaram uma realidade muito mais complexa e a escola estava absolutamente despreparada para enfrentar essa nova demanda”, reconhece.
Mas Maria Helena pondera e defende que a secretaria tem promovido ações para contornar a defasagem da rede de ensino, estabelecendo metas a longo prazo e instituindo sistemas de avaliação como o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp).
“Agora, podemos medir a situação da educação e projetar metas para mudar os problemas que houverem”, frisa, lembrando que as transformações ocorrem sempre a partir de recursos limitados, com base no orçamento de que o Estado dispõe.
Protesto
Insatisfeitos com as condições de trabalho e ensino oferecidas pelo Estado, estudantes de universidades privadas e professores da rede estadual realizaram um protesto na porta do Teatro Veritas, na USC. Como não puderam entrar – já que haviam se recusado a pagar R$ 20,00 pela inscrição no simpósio que incluía a palestra da secretária – eles permaneceram proferindo palavras de ordem do lado de fora do prédio.
Entre as exigências dos manifestantes, estavam reajuste de salários dos professores, redução do número de estudantes por sala de aula e extensão das gratificações aos profissionais aposentados. Os estudantes também pediam ampliação do número de vagas nas instituições estaduais de ensino superior e implantação de políticas públicas dentro das universidades particulares.
Ainda ontem, representantes de entidades sindicais do professorado entregaram uma lista de reivindicações a Maria Helena, após palestra ministrada a supervisores de ensino na escola estadual Ernesto Monte.