Conta-se que havia um cidadão que nunca metia a mão no bolso: nem para emprestar ou doar dinheiro, nem para pagar contas, sequer para pegar o lenço. Passou a vida suportando a alcunha de mesquinho e avarento sem reclamar. No dia de sua morte, ao prepararem o corpo para o féretro, o mistério foi enfim revelado: ele criava um escorpião no bolso, o qual, por sinal, foi o causador de sua morte.
Essa história me veio à mente ao acompanhar as negociações entre o prefeito Tuga e os grevistas do setor de endemias. Tuga não negocia com grevista: não paga o salário mínimo de R$ 687,00, que é o piso da categoria, é a lei - talvez ele ache que cerca de 400,00 sejam suficientes para sustentar as famílias dos servidores, as quais deverão passar a usar calças sem bolsos; Tuga não paga plano de saúde, apesar de os servidores trabalharem expostos à dengue, leschimaniose, ravia, toxoplasmose e outras doenças infecto-contagiosas. No dia 24, ele ofereceu um “vale sacolinha” para convencer os trabalhadores a se conformarem e voltarem ao trabalho, não deu certo.
Então, professor Tuga, pesquisador da área da saúde, tire o escorpião do bolso! Atender aos direitos legítmos dos servidores era o único desfecho da greve em que todos sairiam ganhando: o prefeito, os servidores e a população. Entre o escorpião no bolso e a população bauruense, a segunda é, certamente, melhor companhia.
Maria da Silva