08 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• 89% indeferidos

Pelos dados apresentados na audiência sobre a atuação dos azuizinhos, ontem, na Câmara Municipal, o motorista multado tem poucas chances de conseguir revisão da penalidade. O presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, informou que a média de recursos deferidos é de 11%. Já os casos de preenchimento incorreto das autuações (com a consequente anulação da canetada) não passam de 5%.

• Muito e pouco...

Para o vereador João Parreira, os percentuais de erros no preenchimento “são extremamente baixos”, diferente do que pensa Carlos Barbieri, para quem o montante de erro deveria ser ainda menor. Mas para entender as duas extremidades do mesmo raciocínio, Parreira sustenta que o índice é baixo porque o agente anota só a placa e depois preenche a multa se valendo do cadastro da Emdurb. Para Barbieri, o número é alto porque errar aplicação de multa deve ser exceção.

• História rara

Barbieri contou um caso curioso ontem, na tentativa de apontar que há exagero dos motoristas em questionar as autuações. Segundo ele, em visita a Brasília, um taxista comentou que a esposa de uma pessoa bastante influente entrou nervosa no carro e, em contato com um advogado, reclamou que tinham apreendido a CNH dela. O interlocutor respondeu que possuía 137 multas. Não convencida, ela argumentou que havia pago todas.

• 'Terror' da banca

Já o presidente da Câmara, Paulo Madureira, contou que tem conhecimento de que “uma mulher, perto de uma banca, anota placas de veículos que estariam em situação irregular e repassa a um agente de trânsito”. Barbieri diz que isso não ocorre, porque é ilegal. Madureira disse que “isso não é lenda”, ironizando expressão usada pelo próprio presidente da Emdurb ao falar sobre irregularidades no setor.

• Em cima da hora

Aliás, o presidente da Câmara teve trabalho para coordenar a reunião pública. O encontro começou pontualmente às 10h e contou com a presença de 12 vereadores, fruto do “estilo Paulão”, que começa tudo na hora, mesmo se houver poucos presentes. Mas os vereadores divergiram sobre a ordem de elaboração de perguntas. A saída foi chamar por ordem alfabética para impedir os “fura-fila” ao microfone.

• Aula de apito!

Uma das discussões mais acaloradas na audiência foi se os agentes de trânsito apitam ou não quando observam algum motorista infringindo a lei. Os vereadores garantiram que não, mas a diretoria da Emdurb disse que o sinal é de advertência para situações de tráfego. O embate chegou ao ponto de o vereador Paulo Martins e o chefe da fiscalização, Aparecido Bento, travarem um diálogo paralelo sobre os significados do apito: “um silvo breve, dois silvos breves”.

• Ao equilíbrio!

Ao final de mais de duas horas de reunião ficou indicado que alguns vereadores exageram em críticas e parecem levantar até situações que são individuais. De outro lado, ficou claro que os agentes de trânsito precisam contar com treinamento permanente e que o setor deve rever posturas - que iriam desde a benevolência às baias na Duque, por exemplo, ao jeitinho que garante vagas para o comércio informal no Centro.