09 de julho de 2026
Internacional

Anistia Internacional cobra o fechamento de Guantánamo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Reino Unido - A Anistia Internacional, grupo que investiga a situação dos direitos humanos em 150 países, fez duras cobranças, especialmente aos EUA, no lançamento do relatório de 2008, ano que marca os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A secretária-geral da Anistia, Irene Khan, afirmou que “a desigualdade, a impunidade e a injustiça são as marcas do mundo de hoje” e que o desrespeito aos direitos humanos se espalha “como um vírus”.

Pelas contas da Anistia, há tortura em 81 países, julgamentos injustos em 54 e impedimentos à liberdade de expressão em 77. Khan afirmou que cerca de 300 milhões de pessoas foram jogadas de novo abaixo da linha da pobreza pela crise mundial dos alimentos.A cobrança mais pesada recaiu sobre os Estados Unidos. “Como superpotência, os EUA têm de manter os padrões elevados”, disse Khan.

A secretária-geral da Anistia já definiu até a data em que espera que o vencedor das eleições norte-americanas deste ano anuncie o fechamento da base de Guantánamo, em Cuba: 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Os três principais candidatos já se comprometeram a fechar Guantánamo, e acho que a data seria mais do que apropriada”, afirmou.

Segundo a Anistia, cerca de 800 pessoas já passaram pela base que os EUA utilizam para driblar as Convenções de Genebra (que protegem direitos mínimos de prisioneiros) desde que ela foi aberta, em 2002. Cerca de 270 continuam em Guantánamo, sem acusação formal nem processo legal.

As regiões em pior situação dos direitos humanos hoje, segundo a Anistia, são Darfur (Sudão), Zimbábue, a faixa de Gaza, Iraque e Mianmar.

Em relação ao Brasil, Khan diz que houve avanços no campo dos direitos humanos, mas que a situação da segurança pública continua profundamente perturbadora.

Responsável pela parte do Brasil nos relatórios há oito anos, o pesquisador Tim Cahill faz um diagnóstico ainda mais seco: “Nesses últimos anos, há uma importante mudança, um reconhecimento da necessidade de direitos humanos, mas o dia-a-dia das pessoas continua exatamente o mesmo, nada mudou, e isso é muito ruim”.

O relatório destaca problemas conhecidos dos brasileiros: violência policial, Justiça ineficaz, conflitos no campo e trabalho forçado e degradante. Cahill esteve no país neste ano para pesquisas e deve voltar para o relatório do ano que vem. Segundo ele, a Anistia tem prestado atenção no conflito na reserva de Raposa Serra do Sol.