Paris - O assassino confesso Michel Fourniret e sua mulher Monique foram condenados ontem à prisão perpétua, em um dos piores casos de assassinatos em série da história recente da França.
O casal não esboçou reação após uma corte de Ardennes, no norte do país, declarar Fourniret, apelidado de o “Ogro de Ardennes”, culpado de matar e estuprar ou tentar estuprar sete mulheres e adolescentes entre 12 e 22 anos a partir de 1987. As mulheres foram estranguladas, mortas a tiros ou a golpes de chave de fenda entre 1987 e 2001.
O caso, entre os mais sinistros registrados na França desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), levou a mudanças na forma com que a polícia investiga assassinatos em série, incluindo uma melhor coordenação entre as autoridades.
Fourniret, 66 anos, poderá pedir uma redução da pena, mas só depois de ficar 30 anos preso. Dada a sua idade, provavelmente ele não voltará à liberdade, e seu advogado afirmou ontem que ele não irá recorrer da sentença.
Fourniret, que confessou os seus crimes, agia principalmente na região de florestas de Ardennes no norte da França e na Bélgica. Sua mulher foi acusada de ajudá-lo a selecionar as vítimas, capturá-las e esconder seus corpos.
O juiz deu seu veredicto no dia seguinte ao júri se reunir para tirar suas conclusões. O julgamento, que teve detalhes publicados em todos os jornais, chocando o país, levantou sérias questões sobre o funcionamento do sistema judicial francês.
O casal, ligado pelo o que os promotores chamaram de “pacto criminal”, se conheceu após Fourniret colocar um anúncio em jornal pedindo que alguém escrevesse a ele enquanto estava preso cumprindo pena por crimes sexuais nos anos 1980 -ele tem um longo histórico de estupros.
Uma série de oportunidades perdidas de prender os assassinos inclui a não investigação do desaparecimento da primeira vítima do casal, Isabelle Laville, em 1987, apesar de a polícia ter registrado uma queixa de seqüestro.
Na ocasião, Fourniret, que havia acabado de sair da prisão e estava em liberdade condicional, vivia apenas a alguns quilômetros do local onde Laville desapareceu.
Psicólogos que examinaram o casal disseram que eles não são doentes mentais e têm inteligência um pouco acima da média.
Os especialistas concluíram que o autoritário e obsessivo Fourniret criou um prazer sádico com o estupro e o assassinato.