08 de julho de 2026
Nacional

MPF denunciou Garotinho, Lins e mais 14

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro confirmou ontem que ofereceu denúncia ao Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2) contra uma suposta organização criminosa, que usou a estrutura da Polícia Civil do Rio de Janeiro para praticar lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção. Fariam parte do grupo e estão entre os denunciados pelo MPF o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB).

A partir de mandados obtidos pela Procuradoria Regional da República no TRF, a Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a Operação Segurança Pública S/A, que já resultou na prisão de Álvaro Lins. Os procuradores regionais da República Maurício da Rocha Ribeiro, Cristina Schwansee Romanó e Paulo Fernando Corrêa denunciaram, no total, 16 pessoas.

O deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva O ex-governador e ex-secretário de segurança pública Anthony Garotinho responderá por formação de quadrilha armada.

A Operação Segurança Pública S/A decorre da continuação de apurações das Operações Gladiador e Hurricane, desencadeadas pelo MPF e pela PF, da quebra de sigilo fiscal de Álvaro Lins e de investigações posteriores de documentos colhidos pela PF. A quadrilha é acusada de ser responsável pelos crimes de facilitação de contrabando, por não reprimir a atividade de exploração de máquinas caça-níqueis, e de corrupção ativa e passiva, relacionados diretamente com as atividades de delegacias de polícia estratégicas.

O ex-governador Anthony Garotinho foi denunciado pelo fato de garantir politicamente a manutenção do grupo de Álvaro Lins à frente da Polícia Civil. A investigação ainda apontou vários crimes de lavagem de dinheiro nos quais Álvaro Lins é acusado de se valer de familiares e outras pessoas para ocultar a origem do patrimônio obtido criminosamente.

Álvaro Lins é preso

O superintendente da PF (Polícia Federal) no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, disse que quatro policiais civis, o ex-sogro e a ex-mulher do deputado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins (PMDB), estão entre as sete pessoas presas durante a operação Segurança Pública S/A.

Segundo Caetano, o flagrante da prisão de Lins foi configurado porque, no cumprimento de mandado de busca e apreensão no apartamento dele, na zona sul do Rio, foram localizados documentos que comprovariam o envolvimento dele no suposto esquema. Lins não poderia ser preso por mandado pois tem imunidade parlamentar.

Embora o TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região tenha decretado a prisão de dez pessoas, no total, o Ministério Público Federal denunciou 16, incluindo o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB).

Corrupção

Para a PF e o Ministério Público Federal, Lins e Garotinho mantiveram um esquema com policiais corruptos que protegia contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio na guerra pelo controle de caça-níqueis no Rio. Segundo a PF, o grupo utilizava delegacias estratégicas, principalmente a de Proteção ao Meio Ambiente, para as ações.

Para lavar o dinheiro supostamente recebido dos contraventores, ainda conforme denúncia do Ministério Público, Lins adquiria bens em nome de familiares e conhecidos.

Garotinho divulgou, em seu blog, que tem a consciência tranqüila e nada a temer. Sob o título “esclarecimento”, Garotinho diz aos leitores do blog que não foi comunicado oficialmente de nada. “Permaneço na minha casa, ao lado da minha família, porque tenho minha consciência tranqüila e nada tenho a temer”, destaca o ex-governador do Rio.