O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que a classificação do Brasil como grau de investimento por duas das principais agências de risco não surpreende. A Fitch Ratings elevou hoje a nota do Brasil, após a Standard & Poor’s já ter identificado o País como bom pagador no final de abril.
“Os investidores já descobriram, há algum tempo, que o Brasil é um país seguro”, disse Stephanes, que participou da 8.ª Reunião do Conselho Agropecuário do Sul, realizada em Montevideo, Uruguai.
Para o ministro, a decisão das agências de risco significa o reconhecimento de que o Brasil é seguro para se investir e tem credibilidade perante o mundo.
O grau de investimento é a classificação dada pelas agências de rating a países com poucas chances de deixar de honrar suas dívidas. Com a nota, o Brasil pode receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram o carimbo de bom pagador. Alguns desses fundos exigem ainda que pelo menos duas agências considerem o país “investment grade”, o que acontece a partir de agora.
Em reunião ontem em Montevideo (Uruguai), os ministros dos países membros do Conselho Agropecuário do Sul assinaram uma declaração na qual os governos se comprometem a instituir políticas públicas de estímulo à produção de pequenos agricultores, no sentido de aumentar a oferta de alimentos.
O evento reúne Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile e Argentina e tem como tema central a alta dos preços dos alimentos.
O documento “inclui como compromisso o fortalecimento dos sistemas destinados ao desenvolvimento da pesquisa e inovação tecnológica do setor agropecuário, bem como a melhoria dos sistemas de informação para que os benefícios gerados pelo avanço nas pesquisas cheguem aos produtores”, informou o Ministério da Agricultura em nota.
BNDES
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou ontem que o grau de investimento concedido pela Fitch Ratings ao Brasil “confirma o reconhecimento pelo mercado internacional das mudanças estruturais pelas quais a economia brasileira passou nos últimos anos”.
“Do ponto de vista prático, a classificação dessa agência deve reforçar ainda mais a redução no custo de capital do financiamento da dívida pública e dos grandes projetos, especialmente de infra-estrutura, necessários à continuidade do ciclo de crescimento sustentado”, afirmou Coutinho.
“Todo esse cenário favorável permitirá ao BNDES disponibilizar com mais agilidade um maior volume de recursos para viabilizar o crescimento dos investimentos na economia e reforçar a Política de Desenvolvimento Produtivo”, afirmou ainda.
A Fitch Ratings elevou ontem a nota do Brasil de “BB+” para “BBB-”, o que coloca o País no grupo dos países grau de investimento, desta vez pelo viés desta agência de classificação de risco. O anúncio da Fitch confirma a promoção do rating brasileiro anunciada no final de abril pela agência Standard & Poor’s, que foi a primeira a chancelar o país como bom pagador.