Em agosto de 1980, quando a sociedade civil se organizava em busca da redemocratização da pátria, o então técnico de segurança do trabalho da Rede Ferroviária Federal Edson Yoshino era sumariamente demitido de seu emprego sob a acusação de ter cometido três “crimes hediondos”, na opinião dos repressores da ferrovia. Nas horas de folga e finais de semana, comercializava o jornal “Hora do Povo”, havia participado do Congresso de Reconstrução da União Nacional dos Estudantes - UNE -, em Salvador (BA), além de participar do Ato Público de fundação do Comitê Brasileiro pela Anistia, seção de Bauru.
Esqueceram os filhotes da ditadura de mencionar a ativa participação de Yoshino no movimento estudantil, onde ocupou a presidência do Diretório Acadêmico Faria Lima, da Faculdade de Tecnologia da extinta Fundação Educacional de Bauru. Demitido, continuou a ser perseguido pelo departamento de Segurança da ferrovia. Quando conseguia emprego em alguma empresa da cidade, os coveiros da democracia corriam informar da alta periculosidade de Edson e o mesmo era demitido.
Vinte e oito anos depois, a Justiça foi feita e a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu a perseguição sofrida pelo Yoshino e o declarou anistiado político, em sessão realizada neste 29 de maio, onde foi brilhantemente defendido pelo advogado bauruense dr. Joaquim Mendonça Sobrinho, que na defesa oral ministrou verdadeira aula da história dos chamados “anos de chumbo”. Tardou a Justiça e não falhou.
Antonio Pedroso Júnior - chineloneles@hotmail.com