O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru foi convidado pela Universidade de Hamburgo, da Alemanha, para participar de um projeto que colherá dados para um sistema internacional de alerta sobre a ocorrência de tsunamis. O instituto receberá por empréstimo dois radares para monitorar ondas secundárias, as pororocas, na foz do rio Araguari, no Amapá. O projeto ainda depende de aprovação da administração superior da universidade.
De acordo com o professor Roberto Vicente Calheiros, vice-diretor e coordenador de pesquisas do IPMet, o sistema deverá operar com radares de alta freqüência, equipamento derivado de um radar desenvolvido na 2.ª Guerra Mundial, para a defesa do litoral britânico. “Eles detectam bem correntes oceânicas, altitude e amplitude de ondas, além de direção do vento na superfície oceânica e rastreamento de navios”, enumera Calheiros.
O pesquisador informa que a universidade alemã, parceira da Unesp desde 2001, faz parte de um projeto internacional para a prevenção de tsunamis - ondas gigantes destruidoras, como as que em 2004 devastaram litorais de países do Oceano Índico, matando 285 mil pessoas.
Calheiros explica que existe um estudo que afirma que as ondas da pororoca, fenômeno produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas, possuem características semelhantes a ondas de tsunami que chegam à praia. Para comprovar essa informação e obter dados que possam ser utilizados na prevenção e alerta destas ondas destruidoras, a Universidade de Hamburgo decidiu pesquisar a pororoca do rio Araguari.
Como a universidade mantém contato há sete anos com pesquisadores da Unesp, o IPMet foi convidado para operar os radares de alta freqüência que irão analisar dados da pororoca do Norte do País.
Calheiros esteve na universidade alemã de 16 a 23 deste mês finalizando o projeto da parceria. O pesquisador Maurício de Agostinho Antônio, do IPMet, ainda está na entidade européia, encarregado das questões operacionais do projeto.
Caso o projeto seja aprovado, Calheiros pondera que os radares, que serão emprestados pela Universidade de Hamburgo por dois anos, deverão permanecer no Amapá cerca de oito meses e depois serão trazidos para o Sudeste, em local ainda a ser definido, para o monitoramento oceânico da costa da região.
“Teremos a oportunidade de trabalhar com este equipamento, conhecer o seu software, verificar como ele opera, como é a sua manutenção. Poderemos avaliar a qualidade dos dados obtidos e analisar como poderemos utilizar também para a previsão de movimentos de correntes oceânicas”, elenca o pesquisador.
Outro ponto destacado por Calheiros é a oportunidade de trabalhar com a Universidade de Hamburgo, pioneira no desenvolvimento de radares oceânicos.
A diretora do IPMet, Ana Maria Gomes Held, frisou que o projeto é mais um marco na seqüência de atividades pioneiras do IPMet, iniciadas com o projeto do radar meteorológico, no início de 1970. Destacou o papel fundamental do IPMet como introdutor de inovações na área de radar no País, papel que se consolidou ao longo dos anos.