09 de julho de 2026
Bairros

Chuva traz alívio para cidade e campo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de praticamente 26 dias sem chover, o bauruense acordou ontem com o barulhinho de água no telhado. O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru registrou 30.7 milímetros de chuva durante todo o dia, metade do esperado para chover o mês inteiro. Foi mais que suficiente para melhorar a qualidade do ar, que estava com baixa umidade nos últimos dias, reduzir incêndios em mato e molhar o solo, um alento para os agricultores e para agropecuaristas que já estavam preocupados com as pastagens.

Bauru já sofria com a estiagem – a última chuva forte ocorreu no início do mês. A fuligem da queima de mato e palha de cana-de-açúcar vinha invadindo a cidade para o desespero dos alérgicos. O Corpo de Bombeiros também já sentia os efeitos da falta de chuva. Diariamente, a corporação registrava, em média, 15 chamadas para combate de fogo em mato.

As ocorrências eram tantas, que anteontem, duas viaturas de combate a incêndio tiveram de parar para passar por reparos e troca de peças. De acordo com o meteorologista Mateus Teixeira, do IPMet, até ontem a chuva acumulada em maio era a metade do previsto para o mês. Com toda a água que caiu durante a madrugada e manhã de ontem, o acumulado do mês chegou perto da média histórica de maio, que é de 68 milímetros.

No início do outono, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) previu que a chuva acumulada nos meses de abril, maio e junho ficaria dentro da média histórica ou um pouco abaixo. Maio começou com muita chuva - no dia 2 foram 32.3 milímetros. Depois disso, apenas garoas finas nos dias 5, 13 e 14.

Quem saiu cedo de casa ontem deparou-se com grande volume de enxurrada. Em algumas vias, como as avenidas Nações Unidas, Duque de Caxias e Rodrigues Alves, formaram-se verdadeiros lagos, mostrando que os bueiros estavam entupidos, sem condições para escoar toda a água.

Apesar da chuva ter sido intensa pela manhã, a Defesa Civil não registrou nenhuma chamada para atendimento de inundações em Bauru. “Geralmente, somos acionados quando a chuva é acompanhada de ventania, que destelha casas”, informa Eros Pereira, coordenador do órgão na cidade. De acordo com o IPMet, o vento mais forte do dia foi de 42,3 quilômetros por hora, que não chega a causar dano.

E o céu fechado deve se estender pelo final de semana. De acordo com o meteorologista, a frente fria que veio da região Sul do País e trouxe chuva para Bauru, já está deixando o Estado, rumo a Minas Gerais e Rio de Janeiro. Porém, ainda deixará o tempo instável, com céu encoberto e possibilidade de chuva até domingo.

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Pecuária

“Chuva nesta época, é sempre bem-vinda”. A afirmação é de Maurício Lima Verde, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, vice-presidente da Comissão Nacional do Café e presidente do Sindicato Rural de Bauru, referindo-se a importância da chuva para a agricultura e, principalmente, para pecuária. “Quando a chuva vem na época de seca, o produtor agradece muito. Diminui-se o número de incêndio nas pastagens”, aponta.

Lima Verde destacou que a atual fase da pecuária, tanto de corte quanto de leite, é positiva, com preços muito bons no mercado. “Assim, choveu duas vezes na nossa horta”, comemora. Ele também aponta que com a precipitação e a conseqüente elevação da umidade relativa do ar, a colheita da cana-de-açúcar também pode ser beneficiada, já que o governo costuma suspender a queima da palha da planta, quando o ar está muito seco.

Um dos aspectos negativos apontado por Lima Verde é para a colheita do café, que pode ter sido um pouco prejudicada pela chuva. “Outro problema é o frio que costuma vir depois da chuva. A friagem pode prejudicar a produção de frutas”, pondera.