08 de julho de 2026
Geral

Bauruense vence Prêmio Abril 2008

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O publicitário Marcelo Sato deixou Bauru com apenas 19 anos em busca de um sonho: ser um homem feliz e bem sucedido em sua profissão. Mesmo observando a influência que o pai, vereador Futaro Sato, já exercia na cidade naquela época, decidiu alçar vôo sozinho.

Por conta própria, apenas com a ajudazinha de um ‘paitrocínio’ nos primeiros anos, foi estudar em São Paulo e lá construiu uma carreira sólida no meio publicitário. Prova disso é que, neste último ano, vem sendo seqüencialmente premiado, dentro e fora do País por uma campanha elaborada para uma universidade paulistana.

Neste mês, Sato foi coroado com o Grand Prix do Prêmio Abril de Publicidade, o mais prestigiado da mídia impressa brasileira. Nele, concorreram aproximadamente 450 campanhas, as melhores publicadas nas revistas da Editora Abril durante o ano passado.

Desenvolvida em parceria com o diretor de arte André Gola e o diretor de criação Guilherme Jahara, a campanha incentiva o ingresso na pós-graduação, mostrando que o conhecimento adicional é o que diferencia as pessoas. O conceito é representado pela intersecção dos “círculos de conhecimento”, onde estão posicionadas personalidades históricas.

Leonardo da Vinci, por exemplo, está na intersecção dos círculos dos pintores, engenheiros e inventores. Winston Churchill se destaca entre políticos, historiadores e jornalistas. Por sua vez, Benjamin Franklin acumula os conhecimentos de cientistas, jornalistas e diplomatas.

No ano passado, logo que foi produzida e veiculada, a campanha foi vencedora do Leão de Ouro no Festival de Publicidade de Cannes de 2007. Sato não havia completado nem 40 anos de idade. “Foi o prêmio mais importante que eu recebi até hoje, porque concorrem trabalhos do mundo inteiro e é muito difícil conseguir ganhar”, observa.

Avalanche

Apesar dos mercados poderosos espalhados pelos cinco continentes, o bauruense sabe que não ficou atrás. Já em solo brasileiro, o reconhecimento veio como uma avalanche.

De Cannes para cá, ele abocanhou nada mais, nada menos que o Grand Prix no Festival da Associação Brasileira de Propaganda (ABP), o ouro e melhor peça gráfica brasileira no El Ojo de Iberoamérica, ouro no Festival Iberoamericano de La Publicidad (Fiap), ouro no Clube de Criação de São Paulo e o Grand Prix no Wave Festival. “Meu pai ficou todo orgulhoso”, brinca.

Foi o pai, aliás, um dos grandes responsáveis por transmitir sabedoria a Sato para agir com serenidade diante de uma realidade que poderia levá-lo ao deslumbramento. Recluso, segundo sua própria avaliação, ele parece até um tanto envergonhado em expor seu sucesso (e, é bom dizer, resistiu a conceder entrevista ao JC). No entanto, se mostra extremamente ‘pé no chão’ ao avaliar seu momento profissional.

“É legal ganhar prêmios, mas os dias de premiação são raros, enquanto que os dias de trabalho árduo são quase todos. Então, me apego mais à vontade de desempenhar meu ofício do que à expectativa de ser reconhecido por isso”, diz.

Já passava das 22h, Sato falava à reportagem por telefone e ainda estava na agência de publicidade onde trabalha, na Vila Olímpia, em São Paulo. Mas o adiantado da hora não parecia ser um incômodo, nem mesmo uma novidade.

“Passo muitos finais de semana e feriados aqui dentro”, revela. “Geralmente, temos pouco prazo e muito trabalho. É tudo uma grande correria, mas não acho ruim. Tenho uma relação afetiva com meu trabalho e é isso que me faz feliz”, conclui.