09 de julho de 2026
Nacional

Preço do gás natural sobe a partir de hoje

Folhapress
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São Paulo - O consumidor será duplamente afetado com a alta recorde do gás natural autorizada em São Paulo pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo). A indústria já informou que repassará integralmente o reajuste do gás natural para os preços.

Nos domicílios atendidos pela Comgás, maior distribuidora do país, o reajuste também não será modesto. O consumidor residencial terá reajustes de 17,76% para quem consome até 16 metros cúbicos por dia e de 16,96% para quem tem consumo diário de 40 metros cúbicos. Estimativa da Comgás indica que a conta para um consumo de 8 metros cúbicos por dia subirá R$ 3,90.

Segundo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), nichos em que o consumo está elevado serão os mais impactados com os repasses.

A indústria abastecida pela Comgás receberá a partir de hoje reajustes entre 22,73% a 36,08%. O reajuste para os consumidores industriais da distribuidora Gás Natural São Paulo Sul, que atende a região Sul do Estado, irá variar de 19,43% a 25,87%. A variação é determinada pelo volume de gás natural consumido.

A construção civil deverá sentir o reajuste do gás natural integralmente. As indústrias do vidro e do revestimento cerâmico, grandes consumidoras de gás, irão repassar todo o reajuste. “Setores que passam por momento de forte demanda e que tenham o gás como parte importante para formação de custo não irão segurar um reajuste desse tamanho”, diz Saturnino Silva, diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Fiesp.

O pólo cerâmico de Santa Gertrudes, na região de Rio Claro (SP), deverá ser um dos mais atingidos pelo reajuste do gás. O insumo representa 20% do custo de produção. “Estamos num beco sem saída. Não temos outra alternativa. Vamos repassar aos preços tudo o que for possível”, antecipa João Oscar Bergstron, presidente da Aspacer (Associação Paulista de Cerâmica de Revestimento). O pólo de Santa Gertrudes é o maior do segmento no país, responde pela produção de 67% de todo o revestimento cerâmico consumido no Brasil.

Além do reajuste, o setor enfrenta um problema ainda mais sério: a falta de gás. Projetos de expansão da capacidade foram suspensos. A Fiesp tem cobrado a oferta de combustível para São Paulo. “A questão do preço está relacionado ao mercado internacional, não há o que fazer. Mas o país pode ampliar a produção própria de gás para depender menos das importações.

Estamos organizando uma cobrança da Petrobras”, diz Silva da Fiesp. A entidade cobra a ampliação de 11% ao ano na oferta de gás para São Paulo prometido pela estatal a Fiesp no ano passado.