10 de julho de 2026
Política

Caio propõe criatividade contra crise

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Ao oficializarem para correligionários do DEM a coligação PSDB-DEM, com Caio Coube pré-candidato a prefeito e José Clemente Rezende pré-candidato a vice-prefeito, os caciques políticos dos dois partidos mostraram que vão para a campanha com um discurso de retomada do desenvolvimento de Bauru com muito “pé-no-chão”, porém, com a visão de que a cidade tem que recuperar o status de potência regional.

Nas várias falas entoadas por demistas e tucanos ficou explícito que, para realizar o “arroz com feijão” cobrado pela população da cidade, será preciso muito tempero e parte da mistura passa pela recuperação da influência política que o município aglutinou num passado recente. A mesma influência dilapidada pelas últimas administrações que frustraram os anseios da população.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) disse que não adianta prometer o que não poderá ser entregue após as eleições. “Chega a época da eleição, os políticos prometem o céu”, alerta aos pré-candidatos a vereador, cabos-eleitorais e correligionários.

Caio disse que, diante dos recursos para investimentos previstos no Orçamento de 2009, o próximo prefeito de Bauru precisará ser criativo ao extremo. Os números apresentados pelo pré-candidato tucano, após conhecê-los em recente audiência na Câmara Municipal de Bauru, pintam perspectivas nada animadoras. O que justifica o comedimento de Tobias. Caio explica que são apenas R$ 5 milhões livres para investimentos em 2009.

Recursos

O que é possível fazer com apenas esse dinheiro é simples de se imaginar. Questionado, Caio entende que o remédio contra a escassez de recursos próprios é atrair os governos estadual e federal a investirem na cidade. “A curtíssimo prazo será trabalhar em contenção de despesas e economias”, explica.

Além de apertar o cinto, Caio diz que comercializar a movimentação financeira (folha de pagamento e outras operações) junto a bancos é um trunfo, inclusive muito usado pelas administrações municipais. Segundo o tucano, para viabilizar esta injeção de dinheiro, a prefeitura faz uma espécie de um leilão público entre os bancos e a melhor proposta assume como contrapartida ao movimento de recursos da prefeitura e autarquias (Emdurb, DAE e Cohab).

“Isso tem rendido a prefeituras do porte de Bauru uma soma, segundo quem está mais próximo do mercado, em torno de R$ 15 milhões. Isso inclusive foi dito pelo atual secretário municipal de Finanças de Bauru (Marcos Garcia). Essa seria a ‘bala na agulha’ no ano 1 (2009)”, explica.

Certo é que sem criatividade a reviravolta no marasmo que a cidade vivencia não será superado. De acordo com o exposto por Caio, o Orçamento de 2009 será de R$ 328 milhões, sendo que R$ 151 milhões estão comprometidos com a folha de pagamento, R$ 131 milhões destinados ao custeio da máquina e R$ 36 milhões vão para o pagamento de dívidas no exercício de 2009.

Restarão R$ 16 milhões para investir, só que cerca de R$ 11 milhões já estão comprometidos - valor carimbado - com o setor de Educação. Assim, se chega aos minguados R$ 5 milhões para obras na cidade. “Para o primeiro ano, torna-se muito difícil. Mas alguma coisa tem que ser tentada”, ressalta.

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Postura

Pedro Tobias avalia que o prefeito precisa “viajar”, ao mencionar qual deveria ser a postura do futuro ocupante do Palácio das Cerejeiras, a partir de 2009. Ele argumenta que prefeitos de municípios de porte menor que Bauru vêm conquistado recursos. “Quem não é visto, não é lembrado”, ressalta.

José Clemente Rezende (DEM) diz que a aliança de várias forças políticas busca o crescimento da cidade. “Para que nós possamos, realmente, dar o grande salto que Bauru necessita.” Sem negligenciar os problemas do município, o pré-candidato a vice-prefeito alerta para um dos desafios que a administração municipal terá que enfrentar.

“Precisamos buscar, principalmente, resolver uma questão social de Bauru que é a geração de empregos. É lógico que a cidade precisa de toda uma reestruturação na sua parte de infra-estrutura. Precisa-se um empenho para revitalizar a cidade com obras”, destaca.